sábado, 15 de dezembro de 2012

O MUNDO TRASH DA MUSICA BAIANA. HAJA SACO !!!


















Por: JOSÉ JOAQUIM SANTOS SILVA











A minha Bahia é um Estado lindíssimo, cheio de histórias. Culinária boa e cultura primorosa e de arquitetura de valor incalculável. É bom lembrar que Rui Barbosa o famoso Águia de Haia, era baiano e dos bons mesmo.
Mas os elogios param por aqui....Chega !!!
Quando é para falar de música… o meu coração dói. Um grande montante de lixo musical foi produzido neste lugar ao longo dos tempos. Fora as bandas clandestinas que mesmo não-baianas, com aquele orgulho em afirmar que é baiana (exemplo? Babado Novo e a Cláudia Leitttttttttte (com todas as letras “tês” possíveis), que são cariocas, mas tem aquele orgulho de dizer que é do ventre da mainha Bahia, ôxe!). Ou seja, com aquele pseudo-sotaque baiano feito nas coxas.
Porque nós baianos não nos expressamos assim. Nem os baianos de Ilheus e companhia não possuem esse sotaque medíocre que a Claudia Leite tenta imitar.

IRRITAÇÃO

Falando em irritação, no começo da década de 80 eu começei obrigatóriamnte a conviver com essas rádios de sexta categoria tocando incessantemente Timbalada e Olodum. Lembram do “…requebra, requebra, requebra sim, pode falar. pode rir de mim, Ou "Avisa lá que eu vou chegar mais tarde "…“? Era insurportável estes refrões malditos tocando uma porrada de vêzes vezes para todo o canto que você ia. Chegando ao ponto da referida porcaria musical ficar tocando na minha cabeça, contra a minha vontade o dia inteiro ou até na hora de dormir.
Uma tortura gente. Não recomendo isso para o meu pior inimigo. Mas o pior viria pouco tempo depois pasmem:
Uma banda idiota estoura nas rádios em forma de jabá (pagou tocou). O nome? Harmonia do Samba, que de harmonia e de samba não tinha nada. Era um pagoxé ruim de aguentar, com letras de duplo e triplo sentido, um português de décima categoria. Pior era vê-los nos programas de TV, rebolando feito gazelas com o rabo cheio de pimenta, para o nojo de quem vos escreve podem crê .

Um jegue lerdo chamado Xande rebolando e mexendo não sei como, algumas cabeças acéfalas de adolescentes e algumas piriguetes da terceira idade também.

A HERANÇA MALDITA

Mas a herança que foi deixada por eles foi a maior merda já feita. Inúmeras bandas de pagoxé surgiram nos fins dos anos 90 feito rastro de pólvora. E estas evoluíram para a droga conhecida hoje com swingueira. Uma droga por que entrou no seio das grandes instituições educacionais. Quem não ouviu falar de uma banda de swingueira que não surgiu entre amigos de colégio, com nomes que são fruto de um pensamento extremamamente avançado… para um jumento: “Samboeh”, “Swingsamba”, “Sambateen” e etc. que tem como público menininhas entre os 13 e 17 anos, sendo musicalmente preparadas para serem estupradas consentidamente pelos “admiradores” deste som. Algumas delas continuam curtindo esse sonzão enquanto amamentam ou trocam as fraldas seus bebês. Frutos dos pagodes. E o pior é que essas irresponsáveis jogam a responsabilidade preferencialmente nas mãos das mães que naturalmente são avós derretidas.
E quando digo que estas meninas são preparadas para a bacanagem, eu falo sério. Estas letras refeletem muito isso, apesar do desconhecimento in causa das pobres coitadas. Lembrem-se que quanto mais apelativa a musica, mas elas “bombam” nas paradas de sucesso desse nosso nefasto Carnaval:
São os camarotes cada vez mais esburacando e invadindo os espaços que seriam do público, e o público espremido e cada vez mais violento. Isto é, sem nos esquecermos dos ambulantes e dos catadores de latinhas que estão no meio também.
Não se esqueçam que o pagode-axé é o banalizador numero um da:

-Violencia principalmente no suburbio ferroviário
-Prostituição
-Infidelidade e desrespeito
-Poluição sonora principalmente dos sons dos automoveis.
-Crimes
-Elevado uso e consumo de drogas



A SEGUIR, AS LETRAS NEFASTAS QUE FAZEM SUCESSOS AQUI EM SALVADOR

MAS PELO AMOR DE DEUS NÃO JULGUEM MAL. POIS, ESSAS LETRAS SÃO DO AGRADO DO PÚBLICO CLASSE (Z) !!


1- Bota a mão no tabaco (repete um montão de vêzes)

2-Tá que tá que tá gostoso (várias vezes)

Toda música tem que começar com uma introdução besta, tipo essa aí. Podia ser “ah que delícia” ou “mete mais fundo”. Não faria a menor diferença.

3-Tá ficando molhadinha 
Eu tô sentindo um cheirinho de calcinha (repete) que falta de criatividade !!!

Esse cara deve ser um cara de olfato excepcional, tipo do do filme Perfume. Por que, imagina só: uma festa, gente baforando, álcool para tudo que é lado, gente suando feito porcos e o cara sentir aquele doce aroma vindo da vagina de uma mulher? Como pode? Com a palavra o efeito da droga no cérebro dele !!!

4-Eu vou pegar o telefone e endereço da gatinha (repete)
Típico de playboy acéfalo: Traça um papo, pega o endereço e o telefone, e diz que quer dar uma carona para ela. Com certeza este cara tem segundas, terceiras… enésimas intenções com a “gatinha”. Tem carro e pensa ser o dono do mundo !

5-Eu vou pular o seu quintal e roubar sua calcinha da boquinha (repete)
Isso é sintoma do que chamam de fetichismo. Fora o fato de o que diabos uma garota estaria fazendo com uma calcinha na boca? Mascando o nylon?

6-É na boquinha, no peitinho, no xibinho e na bundinha… (É na boquinha, no peitinho, no xibinho e na bundinha…) (repete)As partes importantes desta rampeira foram citadas. E a cabeça, pergunta o leitor desavidado? Isso, para o playboy, não faz a menor diferença.

7-É no boquete, boquete, boquete… (Boquete, boquete, boquete, boquete…) (ad infinitum)
Pergunta para uma menina com os seus 12 a 13 anos o que significa o verbete “boquete”? Ela não saberia dizer. Elas poderia achar que era um movimento, um nome de uma dança estranha. Jamais passaria pela cabeça que isto nada mais é do que engolir uma tora de carne até a garganta, em movimentos ritmados, para puro deleite de quem o recebe. Ma hoje, a realidade é outra elas são bastantes escoladas.
Agora imagina o pai desta “moça” vendo ela dançar esta música? 
Se tocar a mão, aí o juizado de menores acaba com o véio.
8-Rala a chana no chão (repete também várias vêzes) essa.....ah !!!! sem comentário. Deixo com vocês !!!
9- Essa todo povão canta e adora " Favela ê favela eu digo que tá quase na hora ". É mole ????

FECHANDO O MEU COMENTÁRIO EU DIGO !!!!


Há muito tempo que a musica tornou-se elemento de desvio de costumes e padrões, uma verdadeira usina de linguíças e fabrica de prostitutas mirins, professoras adultas e consumidores de alucinógenos especialmente o crack. Droga barata que qualquer zé povinho pode comprar com dinheiro roubado dos ônibus e pertences dos passageiros não é ?... Só para lembrar aquela infamia: “…beijo na boca ah ah ah ah esqueça é coisa do passado, a moda agora é namorar pelado e enfiados…” Quando me deparo com esses casos de vômito musical. remeto aos adolescentes que pressionados por mudanças estruturais em seu corpo, sao empurrados ao suplicio mental onde so é “macho” quem pratica os atos descritos nessas baixarias. Eu penso q um pouco da época da Ditadura (leia-se CENSURA) resolveria alguns desses males.
Que coisa feia! A imprensa baiana totalmente cúmplice dessas porcarias que chamam de musica baiana. Jornalismo é coisa séria a população precisa saber realmente o que está acontecendo, não ficar exposto a essa manipulação da informação principalmente de certas RADIOS FMs. Pois já foi comprovado; " O axé music aumenta a propabilidade de burrice em qualquer pessoa.
Que pena que a música baiana transformou-se em um festival de baboseiras, já estou com saudades dos mestres CAETANO, GIL, BETÂNIA, GAL, MORAES MOREIRA, PAULINHO BOCA DE CANTOR, PEPEU GOMES, ARMANDINHO BABY DO BRASIL, EDERALDO GENTIL A CÔR DO SOM, BATATINHA. E muitos e muitos outros..... Não aguento mais ouvir tanta mediocridade dos pagodes e axé. O jovem de hoje aceita qualquer porcaria. TRISTE REALIDADE Realmente existe muita gente ignorante aqui na nossa Salvador. Admito que houve uma invasão rural em nossa cidade e infelizmente tem gente que pensa que está no interior e continua com os mesmos comportamentos devido a fatores socio educacionais. Agora em um aspecto,concordo com o professor:A musica baiana é uma verdadeira PORCARIA!Só fazem musica baseado em palavrões de muito baixo calão; uma grande poluição sonora.
é por isso que o professor Antônio Dantas está certo (infelizmente).
Aliás o que se esperar de uma metrópole a terceira maior do país (Salvador), desgovernada por um prefeito que não tem preparo algum e isto sem falar que fazem 30 anos que a nossa Bahia não,sabe o que é Educação.

Se priorizou muito as avenidas, vales e viadutos. Eu até concordo. Mas se esqueceu do povão sem educação.
É uma pena eu não ser burro. Assim não sofria tanto !

JOSÉ JOAQUIM SANTOS SILVA
jjsound45@hotmail.com _Comentários



Fonte: Homepage “Para ler e pensar” – Clique neste link para conferir:
(Acessado dia 15/12/2012, às 08h 43m – horário de Ms)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O ÚLTIMO NATAL EM FAMÍLIA - Por HUMBERTO PINHO DA SILVA

 
 









Nos derradeiros anos da década de setenta, convidaram-me a cear em Alto de Pinheiros, pacato bairro paulista, em casa de parentes.

Era uma bela moradia cercada de luxuriante jardim, tipo inglês, mosqueado de miudinhas flores encarnadas.

A ampla sala de jantar, quando cheguei, estava decorada para a festa. Na grande mesa de jacarandá, havia alva toalha adamascada, e sobre ela, pratos de porcelana branca, com arabescos a ouro, ladeados de lustrosos talheres de prata.

Ao centro, o vistoso vaso de faiança de Alcobaça, transbordava de fruta fresca, rodeado de garrafas de vinho chileno, guaraná, e muito suco de maracujá.

Suaves e delicados vapores perfumados enchiam o ar: aromas a canela e açúcar caramelizado, à mistura com o gostoso cheirinho de cozido de castanhas, batata, e de bons lombos de bacalhau, que me disseram ser de Portugal, mas importado da Noruega.

Chegavam da cozinha leves sussurros de vozes nordestinas e agudos risinhos de crianças. De súbito, revoada de gurizinhos travessos, à compita, rompeu pela sala, desaguando no adormecido jardim, onde imponente abeto, de largos frondes, feericamente engalanado de vistosas lâmpadas coloridas, comunicava, aos transeuntes, que era noite santa, a santa noite de Jesus.

Entreguei caixa de vinho verde, alvarinho, e outra de saboroso vinho fino – o “Porto” que não pode faltar na ceia de família portuguesa, – e acomodei-me junto ao ancião, que embebido, assistia ao “ Direito de Nascer”, novela que a “Globo”, com sucesso de audiência, transmitia.

Conversamos de outros natais; de natais de outrora; do bolo-rei, doce que o idoso, que saíra do Porto, em 1913, desconhecia.

Estávamos em doce cavaqueira, quando confidenciou-me o seguinte:

Nos anos trinta, pelo Natal, a família aconchegava-se à volta da mesa. Vinham tios, irmãos, primos e mais primos, alguns de muito longe. Apinhava-se a casa com festa rija, que terminava altas horas. Nesse tempo a cidade de São Paulo era tranquila. Ninguém receava atravessá-la, mesmo noite dentro.

Após a ceia, Papai Noel, vestido de encarnado, entrava, segurando grande saco de serapilheira. Dele saíam, como coelhos da cartola de mágico: bicicleta para menino, boneca para menina, brinquedos sem conta, e roupa de marca.

Um dia a filha Helena, que era excelente aluna, pediu-lhe uma bicicleta; prenda demasiada para a pobre bolsa. Comprou-lhe, nesse Natal, gracioso vestidinho de organdi, azul celeste. Na hora da distribuição, coube a garotinha, sua sobrinha, moça sapeca, nada aplicada ao estudo, garrida bicicleta, que faiscava, reluzindo na intensa iluminação da sala.

Helena cravou a vista no velocípede, atirando-lhe olhinhos de censura, indignada.

À saída, voltando-se para o pai, desabafou com raiva:

- Papai Noel é muito injusto. Pedi-lhe uma bicicleta e dá-me vestidinho!

Com os olhos humedecidos, o idoso, murmurou tristemente:

- Foi o último Natal em família! Como é difícil o pobre conviver com o rico!




HUMBERTO PINHO DA SILVA   - Porto, Portugal



 




 
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sábado, 1 de dezembro de 2012

NÃO È DO PORTO, É DA MURTOSA! - Por HUMBERTO PINHO DA SILVA






 
Quando era menino, havia na rua Marquês Sá da Bandeira, em Vila Nova de Gaia, lojinha que tudo vendia: desde artigos de papelaria, loiça de faiança, a vasos de barro vermelho.

Era proprietário o Sr. Costeira, o negociante mais honrado que conheci. Desde o largo dos Aviadores até ao jardim Soares dos Reis, não havia homem mais respeitado e honesto do que o modesto lojista.

Entrou, certa vez, meu pai no pequeno estabelecimento. Saudou o dono afavelmente, e quando lhe pedia resma de papel costaneira, recebe embrulhadinho de moedas.

Espantaram-se os olhos diante a insólita oferta. Estupefacto ficou meu pai, mirando alternadamente, as moedas de cobre e níquel.

Então o Sr. Costeira, de semblante risonho, pedindo mil desculpas, meio envergonhado, meio brincalhão, disse: - Sr. Pinho, sem querer, levei-lhe dinheiro a mais, na última compra. Aqui está o que é seu!

Era assim o Sr. Costeira. Profundamente crente, testemunhando a fé em Cristo, pela conduta exemplar.

Tinha o bom negociante estranho costume: se lhe pediam desconto, dizia, entre sorrisos: - Já tem o bicho cacau! Bicho cacau era o preço justo.

O tempo passou. Indo meu pai de viajem a Lisboa, teve que se deslocar à Costa do Sol. Entrou numa pastelaria na Parede, a fim de tomar  cafezinho.

Reparou o comerciante, pela pronúncia, que era do Norte, e ao inteirar-se que vivia no Porto, acrescentou: depreciativamente:

-Os negociantes dessa cidade são quase todos desonestos, a que meu pai tripeiro ferrenho, repostou, defendendo-se: - Depende! …

E começou a contar que conhecia comerciante, honesto com poucos, narrando a cena das moedas guardadas pelo Sr. Costeira.

Ao escutar a palavra “ Costeira”, iluminou-se-lhe a boca de largos risos, interrompendo a narração de imediato:

- Mas esse não é do Porto! É da Murtosa!

Havia chegado ao Sul a honradez do Sr. Costeira. Perante o pasmo de meu pai e meu, que presenciava o episódio, rapidamente esclareceu:

- Os Costeiras são da Murtosa e conhecidos pela verticalidade e honradez. É boa gente!…mas não são do Porto!…






HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal


publicado por solpaz às 18:50
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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Não Ofereça Sabedoria a Quem Só Pode Pagar com Ignorância - Por Max Gehringer



de:
 Marco Silva massilwal@gmail.com
para:

cco:
 lcarlosnogueira@gmail.com
data:
 22 de novembro de 2012 12:10
assunto:
 Fwd: Não ofereça sabedoria a quem só pode pagar com ignorância.]
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Não Ofereça Sabedoria a Quem Só Pode Pagar com Ignorância


 *Um rato saiu de manhã para trabalhar e no caminho cruzou com um caracol.  Muitas horas depois, após um dia exaustivo em que teve que batalhar  arduamente para caçar sua comida e escapar de seus predadores, o rato  retornou exausto. E notou que o caracol não havia se movido mais que dois  metros.

 O rato parou e comentou que se sentia compadecido pelo fato de o caracol   ter uma vida tão monótona, tão sem emoções, enquanto ele, rato, conseguira  viver, em apenas um dia, aventuras que o caracol não viveria em toda  existência.

 "Emérito rato", disse o caracol, "como tenho bastante tempo para observar  e refletir, permita-me oferecer-lhe alguns dados comparativos entre nossas  espécies, que talvez possam ajudá-lo a rever o seu ponto de vista.  Caracóis têm casa própria e ratos são escorraçados de todos os lugares  aonde chegam. Caracóis vivem em jardins e ratos, em esgotos. O alimento  dos caracóis está sempre ao alcance, enquanto ratos precisam caminhar  horas e horas para encontrar comida. Por isso, caracóis podem passar o dia  apreciando a natureza, ao passo que ratos não podem se descuidar nem por  um segundo. E não por acaso, caracóis vivem cinco anos. Dois a mais que os  ratos."

 O rato ouviu a tudo atentamente. Ponderou que o caracol tinha razão em  tudo o que havia dito e, com uma violenta pisada, esmagou o caracol contra  o chão.

 Felizmente o solo era fofo o suficiente para que o caracol sobrevivesse.  Mas ele aprendeu uma pequena lição que lhe seria útil pelo resto da  carreira. Por mais razão que você tenha, nunca tente provar a alguém que  se acha o máximo, que ele não é nada daquilo. Porque não há negócio pior  do que oferecer sabedoria a quem só pode pagar com ignorância.


* Recebi esta fábula por e.mail, repassada pelo meu amigo Marco Antônio S. Silva. Pesquisei e encontrei o nome do autor que é Max Gehringer, e que pode ser confirmado neste link: http://www.siticopmg.org.br/max_gehinger/max_2012/max_167.html

 Obs: Este é um verdadeiro ensinamento que recolho para mim, porque é tão claro como o dia.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Os aspectos financeiros na terceirização das atividades secundárias


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Júlio César Scavassa (*)
scavassa@terra.com.br









Resumo


Com a globalização da economia mundial, as barreiras comerciais caíram e tornou-se necessário às organizações, rever e manter o foco em suas atividades fins, trazendo a essas instituições a necessidade da terceirização de suas atividades meio a outras Pessoas Jurídicas. Essa prática surgiu inicialmente nas áreas ditas de apoio como limpeza, vigilância, recepção, assistência médica, alimentação de funcionários e cobrança. Para viabilizar as atividades secundárias houve uma necessidade de se avaliar os aspectos financeiros na terceirização, na busca de aperfeiçoar os custos e tornar o trabalho da instituição mais eficaz. De maneira positiva, a adoção desse tipo de modalidade de contratação de serviços tornou-se desnecessária a manutenção de uma equipe própria. Diante desse contexto o objetivo do presente estudo é ressaltar os principais aspectos da terceirização, buscando evidenciar as vantagens para a gestão empresarial. A metodologia utilizada foi de análise em publicações bibliográficas e artigos científicos, abordando os aspectos da terceirização e os impactos financeiros destas operações. O resultado obtido foi a criação de aspectos a serem considerados na avaliação inicial de cada atividade da organização, buscando assim não só seu aspecto econômico financeiro para a instituição, mas também como umas soluções para os “gargalos operacionais” da instituição.

PALAVRAS-CHAVES: terceirização; finanças; gestão empresarial.


1 – Introdução


É importante para os gestores manterem-se integrados aos acontecimentos globais e às novas tendências de mercado, que são fatores imprescindíveis num ambiente globalizado. Assim sendo, a cúpula da organização deve promover e difundir o conhecimento gerado por meio da pesquisa, inovações e técnicas empresariais já consagradas e bem sucedidas, garantindo a perpetuidade do negócio.

Neste sentido, almeja-se criar e sustentar vantagens competitivas, tendo como propósito maximizar os lucros, reduzir custos, aumentar a participação de mercado e tornar os produtos e serviços mais competitivos. Nesse sentido, a terceirização surge com destaque e se solidifica como uma das atividades mais eficientes na gestão de recursos humanos das atividades secundárias da instituição. Essa ferramenta busca e trabalha tudo aquilo que não é essencial e estratégico para a atividade-fim da empresa.

A terceirização é cada vez mais uma realidade nas empresas brasileiras, e também deve ser vista como uma ferramenta gerencial, no entanto, este mecanismo se dá como uma técnica moderna de administração e que se baseia num processo de gestão que tem critério de aplicação estratégica, dimensionada para alcançar objetivos determinados e reconhecidos pela organização que a utiliza.


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A gestão das instituições necessita do atendimento a um conjunto de fatores que impõem reflexão e adequação às práticas de terceirização.

A pesquisa tem o objetivo de destacar as principais vantagens e desvantagens da terceirização, abordando, ao mesmo tempo os aspectos financeiros que envolvem esta atividade. As vantagens e desvantagens serão demonstradas por meio de caso prático em empresas que utiliza a terceirização, em algumas de suas atividades.


2 – Um breve panorama histórico da Terceirização


A terceirização originou-se logo após o início da 2ª grande Guerra Mundial, nos Estados Unidos, para atender a demanda das indústrias bélicas que tinham de se concentrar no desenvolvimento da produção de armamentos.

Foram delegadas as atividades secundárias para empresas com atividade fim de prestação de serviço. No entanto, atualmente, este mecanismo se dá como uma ferramenta de administração e que se baseia num processo de gestão, amplamente utilizada pela indústria num processo que consiste em delegar a outras empresas a realização de parte do processo industrial.

A terceirização também é uma estratégia de gestão que consiste em formar grupos de empresas especializadas em áreas que não são as de sua atividade-fim. Adotada por empresas de diferentes ramos de produção para reduzir custos.

Um instrumento utilizado de forma concomitante com a terceirização foi o downsizing, (reestruturação, redução de custos, redução dos níveis hierárquicos), reduzindo o número de cargos e consequentemente tonando mais eficaz a tomada de decisões - que não implica, necessariamente, com corte de pessoal.

A partir desse momento passou-se a terceiros a obrigação pela execução das atividades secundárias, surgindo assim o termo outsourcing (terceirização), que foi adotada de forma plena pelas indústrias.


3 – A Terceirização


A terceirização de processos pelas organizações tornou-se uma necessidade de muitas empresas, que buscam a redução de custos e empresas cada vez mais eficazes, delegando assim parte de seus processos secundários ou de atividade meio para as prestadoras de serviços.

As dúvidas que pairam no ar são as garantias que as prestadoras de serviços oferecem às organizações, e aos seus gestores para que não sofram perdas financeiras e de qualidade nas atividades da organização.

“Define o processo de terceirização como uma forma de gestão pelo qual se repassam algumas atividades para terceiros, com os quais se estabelece uma relação de parceria, ficando a empresa com foco direcionada apenas em tarefas essencialmente ligadas ao negócio em que atua.” (GIOSA, 1997).


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Porque diante de uma economia globalizada é preciso ter processos mais racionais e eficazes, que passam por uma equipe qualificada para atuar nos processos da empresa e de seus clientes, tendo seus critérios para recrutamentos e treinamentos perenes a toda força de trabalho.

Em verdade, a decisão de terceirização passa pelo conhecimento e especialização do administrador financeiro, além de uma visão estratégica e de sinergia com relação ao futuro da instituição, buscando a o equilíbrio financeiro e manutenção da qualidade em seus processos.

O conceito de terceirização direcionado à Administração Pública está baseado no Decreto nº. 2.271/97, que regulamenta a contratação destes serviços pela Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional, estabelece, em seu artigo 1º, que podem ser executadas indiretamente as atividades materiais acessórias, instrumentais ou complementares aos assuntos que constituem área de competência legal do órgão ou entidade.

“Terceirização é um método de gestão em que uma pessoa jurídica pública ou privada transfere, a partir de uma relação marcada por mútua colaboração, a prestação de serviços ou fornecimento de bens a terceiros estranhos aos seus quadros. Esse conceito prescinde da noção de atividade-meio e atividade-fim para ser firmado, uma vez que tanto podem ser delegadas atividades acessórias quanto parcelas da atividade principal da terceirizante” (RAMOS, 2001).


3.1 – Vantagens da Terceirização


Como um dos principais fatores para terceirização das atividades secundárias está na redução de custos e a não necessidade de efetuar novos investimentos em instalações e equipamentos, propiciando maior flexibilidade no atendimento da demanda, incorporando novas tecnologias, além de manter o foco do negócio na atividade principal.

Pode-se ainda classificar o desenvolvimento econômico, especialização dos serviços, competitividade, busca de qualidade, controles eficazes, aprimoramento do sistema de custeio, melhoria da qualificação profissional, diminuição do desperdício, valorização dos talentos humanos e racionalização das decisões.

“A principal vantagem sob o aspecto administrativo seria a de se ter alternativas para melhorar a qualidade do produto ou serviço vendido e também a produtividade. Seria uma forma também de se obter um controle de qualidade total dentro da empresa, sendo que um dos objetivos básico dos administradores é a diminuição dos encargos trabalhistas e previdenciários, além da redução do preço final do produto. Por meio dos repasses das atividades-meio para que terceiros as executem, as empresas conseguem dedicar-se com empenho e concentração ao desenvolvimento de suas atividades-fim.” (Martins, 2001).


Tendo como maiores vantagens o desenvolvimento econômico, controles adequados, agilidade das decisões, desenvolvimento profissional, especialização dos serviços, competitividade, aprimoramento do sistema de custeio, esforço de treinamento, busca de qualidade, diminuição do desperdício, valorização dos talentos humanos, menor custo, maior lucratividade e crescimento.


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A Terceirização das atividades secundárias de uma instituição apresenta ser eficaz quando reúne os melhores resultados à empres e a maneira mais adequada de buscar parceiros especializados, aprimorando as atividades secundárias, com qualificações, capacitação, adequação e componentes específicos, é investir nessas atividades, permitindo às empresas contratadas manterem seu foco na sua finalidade.

Dentro desse contexto e visando a perpetuidade de seu negócio, as empresas passaram a buscar alternativas para a redução dos custos, sendo que o maior destaque foi dado aos custos de mão-de-obra, pois assim seria mais fácil substituir o serviço, já que este era visto de forma equivocada pela maioria das empresas, que a viam somente como despesa e/ou custo.

A partir desse prisma, a redução de custo da Mão-de-obra e tudo mais que a ele estivesse vinculado passaria a ser uma estratégia utilizada por empresas que buscam recorrer à Terceirização convencidas de que, no momento, essa seria a melhor estratégia para seus problemas econômicos.

Sem critérios definidos, identificam e selecionam fornecedores, sem a preocupação com os aspectos de especialização, idoneidade, aptidão, confiabilidade, entre outros aspectos importantíssimos quando se busca um prestador com um único intuito de apenas o “menor” custo.

O objetivo de levar as organizações a adaptarem suas posturas modernizantes é hoje grande desafio para as empresas e as que não fazem dessa forma acabam por parecerem estar na contramão da história. Entretanto, a tecnologia adotada, tem seus pontos positivos, mostram algumas vantagens da implantação da terceirização, que mais causam impacto às empresas de um modo geral.

3.2 – Desvantagens da Terceirização


Podemos enumerar alguns pontos que se destacam como desvantagem na terceirização e que precisam ser tratados com muita atenção, pois poderão ser o elo que fará o sucesso ou o fracasso da terceirização. Destaca-se entre os esses pontos a falta de comprometimento dos profissionais da contratada, pois na maioria das vezes esses profissionais são remunerados com valores mínimos que o mercado trabalha e com isso o turnover destas empresas são altos, gerando uma falta de sintonia e produtividade desses profissionais no seu dia a dia.

Além desse desafio, em algumas empresas de terceirização os profissionais são contratados como pessoa jurídica ou cooperados que podem a qualquer momento mudar de emprego e projeto. Com esse quadro, os profissionais que estão desenvolvendo atividades dentro da organização apresentam dificuldade de entender e absorver o negócio e os seus processos interno e externo, devido à má comunicação entre funcionários e terceiros e o período necessário para adaptação destes profissionais com a cultura da instituição.

“O ambiente organizacional compreende tanto o ambiente interno quanto o ambiente externo à empresa. O ambiente externo é formado por fornecedores, concorrentes, clientes ou usuários, parcerias com outras pessoas, instituições governamentais locais, nacionais e internacionais; onde as organizações empresariais convivem e se influenciam. O ambiente interno caracteriza-se pelo desenvolvimento das potencialidades da instituição, abrangendo seus sistemas e estruturas, recursos humanos, materiais, físicos e financeiros” (ROCHA, 1998).


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Como o mundo atual dos negócios apresenta uma característica que busca a adaptação rápida das instituições para a sua sobrevivência num mercado tão competitivo e com necessidade de mudança, é primordial que os contratos de terceirização tenham uma característica de flexibilidade para acomodar as inevitáveis mudanças nas necessidades dos negócios.

Outro ponto que deve ser levado em consideração é o gasto em terceirizar a atividade que em alguns casos poderá trazer um aumento de gastos em relação a algumas tarefas, porém dependendo do caso pode trazer uma redução de gastos com essa atividade.

Neste prisma, deve-se adotar uma análise criteriosa na avaliação da terceirização de determinadas atividades, dando uma atenção especial aos custos e aos resultados alcançados, bem como com a profissionalização dessas atividades.

Note-se um exemplo:

Uma indústria tendo duas atividades distintas, ligadas entre si, onde a atividade A e B são obrigatórias e necessárias para existência do negócio:

A atividade A tem um tempo de execução de 8 horas para ser executada e a Atividade B tem tempo de execução de 3 horas. A atividade B demora 3 horas para ser executada e é mais importante por se tratar da atividade que diferencia o seu produto no mercado.

Se se terceirizar a atividade A, provavelmente se terá mais tempo para fazer a atividade B que rende mais e poderá ter mais tempo para ser executada. Diante disto, entende-se que o aumento de custo direto é aceitável, pois trará melhores resultados ao produto final. Portanto, apesar dos custos das atividades terem um aumento nos custos diretos, estes poderão ser lançados como valor agregado ao produto, flexibilidade dos processos ou como um diferencial competitivo no mercado.

Em situação que não são obtidas vantagens competitivas, flexibilidade dos processos ou valor agregado ao produto, deve ser avaliado o custo da terceirização, pois eles terão impacto direto nos resultados da instituição e provavelmente não serão possíveis de ser repassados aos consumidores do produto final.

“A modernização é a somatória da tecnologia (parâmetro diferencial competitivo); do conhecimento da aplicação (alavanca ganho de escala com resultados positivos); da criatividade (participação do corpo funcional nos novos rumos da modernidade); da valorização dos talentos humanos (comprometendo-os para o atingimento da meta da empresa, com participação, compromisso e responsabilidade) e do uso de técnicas administrativas inovadoras (somando eficiência às organizações com novos conceitos de qualidade, produtividade, comprometimento, horizontalização, reciprocidade), apontando a terceirização como um novo paradigma para a concretização da empresa moderna com excelência”. (GIOSA, 1997)


Um dos pontos importantes da gestão da instituição está no controle das atividades e seus processos, neste sentido a terceirização traz um ponto a ser observado que é o controle das atividades e processos terceirizados pela instituição. Uma situação é o gestor tomar sozinho as decisões quando bem entender, e outra completamente diferente é se fazer uma operação com todos os seus subsistemas onde as decisões possuam um manual próprio para que qualquer outra pessoa possa tomar a mesma decisão que o gestor tomaria.


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Isso se torna bastante complexo e apresenta inúmeras variáveis. Assim como pode se amplificar a eficiência do negócio, pode também aumentar a sua ineficiência: o ponto chave é principalmente quando lidamos com tecnologia e seus empreendimentos.

Diante disso, a terceirização de serviços só deverá ocorrer depois serem feitos os testes necessários e treinamentos para que os subsistemas e atividades secundárias sejam considerados eficientes e que não exista ruído de comunicação. É necessário se tomar cuidado com o contrato desses serviços, pois o andamento do seu negócio pode perder o controle muito antes do que se pensa.

“As organizações com a aplicação da Terceirização, se transformam, concentrando todas as suas energias e esforços em sua atividade principal, e, com isso, gera melhores resultados, favorecendo a eficácia, com a otimização da gestão [...] As organizações deverão se concentrar mais na gestão, exigindo qualidade, preço, prazo e inovações, e menos nas execuções focalizando seus esforços em sua vocação e missão. Essas exigências não terão eficácia sem controle, ou critérios e sistemas de avaliação definidos em nível de contrato (custos, prazos, formas de reajuste, tecnologia instalada, desenvolvimento proposto para o corpo funcional e o número de funcionários).” (GIOSA, 1997).


A terceirização como qualquer modelo de gestão apresenta pontos positivos e pontos negativos para as instituições. Na tabela, estão os itens mais relevantes, do ponto de vista da gestão das instituições.


VANTAGENS



DESVANTAGENS


·    Focalização  dos  negócios  da  empresa  na  sua
·    Risco de desemprego e não absorção da mão-

área de atuação;




de-obra na mesma proporção;


·
Diminuição dos desperdícios;

·
Resistências e conservadorismo;


·
Redução das atividades-meio;

·    Risco de coordenação dos contratos;


·
Aumento da qualidade;


·    Falta de parâmetros de custos internos;


·
Ganhos de flexibilidade;


·
Demissões na fase inicial;


·    Aumento da especialização do serviço;

·
Custo de demissões;



·    Aprimoramento do sistema de custeio;

·    Dificuldade de encontrar a parceria ideal;


·    Maior
esforço
de
treinamento
e
·    Falta de cuidado na escolha dos fornecedores;

desenvolvimento profissional;

·    Aumento do risco a ser administrado;


·
Maior agilidade nas decisões;

·
Conflito com os sindicatos;


·
Menor custo;



·    Mudanças na estrutura do poder;


·
Maior lucratividade e crescimento;

·    Aumento da dependência de terceiros;


·    Favorecimento da economia de mercado;

·    Perca do vínculo para com o empregado


·
Otimização dos serviços;


·
Desconhecimento da legislação trabalhista;

·
Redução dos níveis hierárquicos;

·    Dificuldade
de
aproveitamento
dos
·    Aumento da produtividade e competitividade;

empregados já treinados;


·    Redução do quadro direto de empregados;

·    Perda  da   identidade
cultural   da   empresa,
a
·
Diminuição da ociosidade das máquinas;


longo prazo, por parte dos funcionários.














·        Maior poder de negociação;

·         Ampliação do mercado para as pequenas e médias empresas;

·         Possibilidade de crescimento sem grandes investimentos;
·        Economia de escala;

·         Diminuição do risco de obsolecência das máquinas, durante a recessão.

Fonte: GIOSA, 1997.


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Note que as duas primeiras desvantagens refletem uma realidade a qual nem sempre pode ser evitada e refletem, na grande maioria das vezes, uma característica própria de nossa cultura, com aspectos puramente financeiros. Com este quadro, podemos analisar os aspectos mais relevantes e os fatores positivos e negativos da terceirização.


4 - Custos da terceirização


A competição global obriga cada vez mais as empresas a focar seus esforços humanos e patrimoniais em suas atividades fim, deixando para terceiros as atividades secundárias ou ditas com atividade acessórias. Com isso, ao longo da última década, verifica-se que grandes grupos empresarias liquidam seus negócios não essenciais ou que não estejam imbuídos no mesmo propósito de suas atividades principais das instituições. Então passam a contratar terceiros para desempenhar tais atividades acessórias, verificando o crescimento da atividade de terceirização.

“O comportamento dos custos por atividades, estabelecendo relações entre as atividades e o consumo de recursos, independentemente de fronteiras departamentais, permitindo a  identificação dos fatores que levam a instituição a incorrer em custos nos seus processos de oferta de produtos e serviços e de atendimento a mercados e clientes". (Cooper & Kaplan, 1998)


Do ponto de  vista operacional a terceirização representa um benefício para o empresário, na medida em que este poderá ocupar-se somente do que é principal, deixando de lado a administração e condução de tarefas secundárias à empresa contratada.

Esta análise pode ser feita de forma muito superficial e não tratando da análise da carga tributária que incide sobre a prestação de serviços terceirizados. Em outro viés, a terceirização pode representar uma economia tributária, na economia de contribuições previdenciárias sobre a folha de  pagamento e também pode contribuir para o seu aumento de custos tributários.

Em função do nosso regime tributário, alguns tributos têm características de tributos cumulativos, como no caso da COFINS - Contribuição para Financiamento da Seguridade Social e o ISSQN - Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza.

Numa análise sobre as tributações das empresas contratadas, nota-se também que estas estão sujeitas à mesma tributação que a sua contratante, antes da terceirização. A forma tributária brasileira tem sua apuração de tributos em formato de cascata, fazendo com que as empresas contratadas busquem alternativas para a redução de suas cargas tributárias, para que possam oferecer os serviços terceirizados por preços competitivos.

Algumas das alternativas são previstas na legislação e têm embasamento legal. Dentre elas está o uso dos regimes tributários exclusivos aplicáveis às micro e pequenas empresas, sendo este sistema denominado “SIMPLES” e a sua tributação tem como base o lucro presumido.

Existem alternativas para a redução dos custos e da carga tributária, que têm sua legalidade ainda não reconhecida e que geram inúmeras discussões sobre o tema, como a constituição da empresa em Municípios próximos a Capital Goiana sem que, fisicamente, a empresa efetivamente esteja ali constituída, reduzindo sua contribuição do ISSQN de 5% para 2%.


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Há ainda alternativas que são ilegais, que seguem a linha da falta de recolhimento de tributos e produzem um grande risco de responsabilidade solidária do contratante dos serviços. É de suma importância analisar a situação fiscal, contábil e financeira em que se encontra o prestador de serviço, pois o contratante poderá ocorrer em risco de ser responsabilizado solidariamente com o prestador de serviços.

A não observação da situação fiscal de uma empresa contratada poderá gerar autuações fiscais ao contratante, que podem ser relativas a tributos que deixaram de serem recolhidos pelo prestador dos serviços, tais como o INSS e o ISSQN. Isso ocorre tanto com a contribuição ao INSS, como no caso da prefeitura de um determinado município que tem conhecimento de que o prestador de serviços tem sede em outro município apenas para fins de redução da tributação do ISSQN.

No caso do ISSQN, existe um dispositivo nas legislações da grande maioria dos municípios, atribuindo ao tomador dos serviços a retenção do ISSQN, que passa a ser substituto tributário do prestador toda vez que o prestador de serviços não for inscrito neste município. Esse dispositivo pode fazer com que o Fisco municipal autue o tomador dos serviços pela falta do recolhimento do ISSQN devido na prestação desse serviço.

Com a análise da situação fiscal, contábil e financeira do prestador de serviços, o contratante que optar pela terceirização deve assegurar que no futuro não terá que arcar com recursos financeiros e de tempo em demandas com o fisco e com seus funcionários que prestam serviços em sua instituição em função de obrigações fiscais, obrigações acessórias e obrigações principais que deixaram de ser cumpridas pelo contratado.

Neste aspecto, é importante constar no contrato entre as partes, o compromisso do prestador de serviços de cumprir todas as obrigações tributárias, sob pena de rescisão contratual e cobrança de multa rescisória, devendo apresentar as devidas comprovações de suas obrigações.

Outro aspecto é destacar que, para assegurar que as despesas relativas às prestações de serviços por terceiros sejam dedutíveis para fins do cálculo dos tributos sobre o lucro, como o IRPJ - Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a CSLL - Contribuição Social sobre Lucro Líquido, a empresa contratante deve manter registro que demonstre a efetiva prestação dos serviços, de forma a provar que esses serviços foram prestados com todos os detalhes dos mesmos, bem como os serviços adquiridos são usuais e necessários para os objetivos da instituição.

Para que a despesa seja dedutível do IRPJ, é necessário que se faça que a mesma seja usual ao tipo de operação desenvolvida pelo contratante e que tenha fins de manutenção da sua fonte produtora de riquezas.

Com todos os devidos cuidados e com uma análise da situação tributária da prestadora dos serviços, uma elaboração cuidadosa de um contrato de prestação de serviços e a sua respectiva evidência da prestação dos serviços, a terceirização poderá ter resultados positivos e impactar em uma redução de custos para a empresa contratante, transformando essa contribuição em lucro ou em vantagem competitiva.


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“Planejamento tributário é a atividade empresarial que, desenvolvendo-se de forma estritamente preventiva, projeta os atos e fatos administrativos com o objetivo de informar quais os ônus tributários em cada uma das opções legais disponíveis. O objeto do planejamento tributário é, em última análise, a economia tributária. Cotejando as várias opções legais, o administrador obviamente procura orientar os seus passos de forma a evitar, sempre que possível, o procedimento mais oneroso do ponto de vista fiscal.” (LATORRACA, 2000).


4.1 – Custos Reais do Tomador


Na contratação de um prestador de serviço, a contratante deve ter em mente o custo para a terceirização das atividades, de forma a não onerar os custos além do que foi estabelecido, mas principalmente tendo em vista não pagar preço menor que realmente custa, pois é um sério indício de que poderá haver problemas trabalhistas, pois a contratada provavelmente estará sonegando verbas de seus trabalhadores.

Abaixo, mencionamos os custos trabalhistas de algumas formas de terceirização:

Asseio e Conservação = 99,11% sobre o salário.
Segurança = 97,34% sobre o salário.

Trabalho Temporário = 62,73% sobre o salário.

Lembrando que sobre esses percentuais não se contemplam benefícios, equipamentos de proteção e impostos, como transporte, alimentação, EPI, EPC, margem de lucro do prestador, e impostos como PIS, COFINS, ISS, CSSL e IRPJ. Assim, computando todos os itens acima, na atividade de segurança, poderemos chegar ao valor, na hipótese em que o prestador de serviço disponha-se de apenas um funcionário que percebe mensalmente R$ 1.000,00.


Descrição
Base de cálculo
Valor R$
Salário do Funcionário

1.000,00
Encargos Trabalhistas e Previdenciários
97,34%
973,40
Alimentação
R$ 15,00 x 22 dias
330,00
Transporte
R$ 2,50 x 22 dias x 2
110,00
E.P.I. e E.P.C. – Equip. Proteção do Trabalhador
4% s/ salário
40,00
Subtotal

2.453,40
Lucro do Terceirizado e Demais Gastos
18% s/ subtotal
441,61
Subtotal

2.895,01
PIS, COFINS, CSSL, IRPJ, ISSQN
16,33% x (2.895,01/ 0,8367*)
565,02
0,65%+3,0%+2,88%+4,80%+ 5,00%=16,33%


Total a ser cobrado da Tomadora p/funcionário

3.460,03
Fonte: Scavassa – Novembro/2012.



Os Tributos são cálculos sobre a receita total, incluindo todos os benefícios, despesas operacionais e margem de lucro. A forma de cálculo incide tributo sobre tributo, que conforme o exemplo à alíquota aplicada diretamente sobre o valor total teria R$ 2.895,01 x 16,33% = 565,02 e não R$ 472,75 (diferença de R$ 92,27), isto se aplica em função dos impostos fazerem parte do valor total da fatura, caso contrário haveria redução no lucro da contratada.


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TABELAS BÁSICAS DE ENCARGOS SOCIAIS E TRABALHISTAS

SEGMENTO ASSEIO E CONSERVAÇÃO
TABELA DE ENCARGOS SOCIAIS E TRABALHISTAS



GRUPO A – ENCARGOS BÁSICOS

Título do Encargo

Alíquota (%)
INSS

20,00
FGTS

8,50
SESC

1,50
SENAC

1,00
SEBRAE

0,60
INCRA

0,20
Salário-Educação

2,50
Seguro-Acidente de Trabalho

2,00
Total do Grupo A

36,30

GRUPO B – ENCARGOS TRABALHISTAS
Título do Encargo

Alíquota (%)
Férias

15,17
Auxílio-Enfermidade

1,90
Faltas Legais

0,76
Licença Paternidade

0,01
Acidente de Trabalho

0,32
Aviso-Prévio Trabalhado

0,34
13º Salário

11,53
Total do Grupo B

30,03


GRUPO C

Título do Encargo
Alíquota (%)
Indenização para Rescisão Sem Justa Causa
3,04
Aviso-Prévio Indenizado
14,03
Indenização    Adicional    (reflexos    do    aviso
0,56
prévio nas férias e 13º salário)

Indenização FGTS – 50% s/depósitos
4,25
Total do Grupo C
21,88

GRUPO D – INCIDÊNCIA CUMULATIVA
Título do Encargo

Alíquota (%)
Incidência Cumulativa (Grupo A x B)

10,90
Total dos Encargos (A + B + C + D)

99,11
Fonte: Fundação Getúlio Vargas – 2012.








SEGMENTO SEGURANÇA E VIGILÂNCIA

TABELA DE ENCARGOS SOCIAIS E TRABALHISTAS


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GRUPO A – ENCARGOS BÁSICOS

Título do Encargo

Alíquota (%)
INSS

20,00
FGTS

8,50
SESC

1,50
SENAC

1,00
SEBRAE

0,60
INCRA

0,20
Salário-Educação

2,50
Seguro-Acidente de Trabalho

3,00
Total do Grupo A

37,30

GRUPO B – ENCARGOS TRABALHISTAS
Título do Encargo

Alíquota (%)
Férias

14,92
Auxílio-Enfermidade

1,96
Faltas Legais

0,75
Licença Paternidade

0,09
Acidente de Trabalho

0,14
Aviso-Prévio Trabalhado

0,10
13º Salário

11,35
Total do Grupo B

29,21


GRUPO C

Título do Encargo
Alíquota (%)
Indenização para Rescisão Sem Justa Causa
2,69
Aviso-Prévio Indenizado
12,41
Indenização    Adicional    (reflexos    do    aviso
0,59
prévio nas férias e 13º salário)

Indenização FGTS – 50% s/depósitos
4,25
Total do Grupo C
19,94

GRUPO D – INCIDÊNCIA CUMULATIVA
Título do Encargo

Alíquota (%)
Incidência Cumulativa (Grupo A x B)

10,89
Total dos Encargos (A + B + C + D)

97,34
Fonte: Fundação Getúlio Vargas – 2012.




TRABALHO TEMPORÁRIO

TABELA DE ENCARGOS SOCIAIS E TRABALHISTAS
GRUPO A – ENCARGOS BÁSICOS

Título do Encargo
Alíquota (%)
INSS
20,00
FGTS
8,50
Salário-Educação
2,50
Seguro-Acidente de Trabalho
2,00
Total do Grupo A
33,00





GRUPO B – ENCARGOS TRABALHISTAS


12

Título do Encargo
Alíquota (%)
Férias Proporcionais
8,33
1/3 Férias
2,78
Faltas Legais
0,76
13º Salário
8,33
Acidente de Trabalho
0,14
Encargos 13º Salário
2,71
FGTS na Rescisão Antecipada
3,20
Total do Grupo B
25,35


GRUPO C

Título do Encargo
Alíquota (%)
Auxílio-Doença
1,25
Auxílio-Acidente
1,25
Total do Grupo C
2,50

GRUPO D – INCIDÊNCIA CUMULATIVA
Título do Encargo

Alíquota (%)
Incidência do Grupo A sobre o C

0,81
Incidência do Grupo B sobre o C

0,63
Higiene e Segurança do Trabalho

0,44
Total dos Grupos A, B, C, e D.

62,73
ENCARGOS FISCAIS SOBRE TOTAL DA NOTA FISCAL


Título do Encargo
Alíquota (%)
ISS
De 2% a 5%*
PIS
0,65
COFINS
3,00
Imposto de Renda
4,80
Contribuição Social s/ o Lucro
2,88

*conforme percentual definido pelo município – Fonte: Fundação Getúlio Vargas – 2012.

Os resultados decorrentes da terceirização ou prestação de serviços a terceiros são considerados satisfatórios desde que atendam requisitos para sua existência tais como flexibilização dos processos, redução de custos ou valor agregado ao produto/serviço. Neste contexto são notadamente vistos como positivos pela maior parte das empresas.

No processo de escolha de um fornecedor de produtos/serviços, a maioria dos itens citados têm um alto grau de importância, sendo que a qualidade dos produtos ou serviços deve ser considerada pelas instituições como um item de grande importância, bem como os custos que envolvem a produção.

Identificando assim suas necessidades a fim de realizar produtos e serviços adequados à necessidade de cada instituição, criando canais de distribuição e campanhas de marketing para a divulgação de serviços às empresas interessadas.

“Finalmente, o que se observa é que as empresas estudadas, [...], encontram-se em processo de adaptação, procurando abandonar características rígidas, para adotar uma postura mais flexível e menos centralizadora, introduzindo inovações organizacionais de impacto, como estruturando-se em unidades de negócios, franquias e terceirização produtiva para responder mais rápido ao mercado, com produtos de qualidade e preços competitivos.” (PONTES & GUIMARÃES, 1997).


13



A terceirização caracterizada como uma ferramenta moderna de gestão que deve ser utilizada não somente pelo aspecto financeiro para a empresa, mas sim como um conjunto de ferramentas, que passam por processos de flexibilização das decisões, redução de burocracia, profissionalização das atividades secundárias e geração de valor agregado aos produtos e serviços.


5 – Considerações Finais


Um dos grandes desafios para as instituições é a terceirização como estratégia de obter vantagens competitivas para obter a maior sintonia entre os profissionais da instituição e os terceirizados.


Com o passar do tempo os vários segmentos vêm se adaptando para atender a demanda crescente por estes prestadores de serviços, passando a ocupar maiores espaços no moderno ambiente dos negócios. Com estes modernos sistemas de gestão e novas sistemáticas de produção a concorrência por um mercado não é mais local e sim globalizada. Para superar a disputa por estes nichos de mercado, as instituições passaram a buscar novos conceitos em informações gerenciais para acompanhar um mercado cada vez mais exigente.

Os profissionais da área contábil vêm se aprimorando e tendo um destaque nessas instituições, sendo indispensáveis à utilização de um eficiente profissional da área contábil, que preste consultoria e assessoria para o auxilio na tomada de decisões. Entende-se com isso a importância da Contabilidade Tributária como uma ferramenta no gerenciamento dos tributos e em análise de custos, tendo como objetivo estudar a teoria e aplicação das normas básicas da legislação tributária e sua aplicação na busca de resultados satisfatórios, utilizando um planejamento tributário adequado e com uma metodologia para subsidiar a tomada de decisão pelos Administradores.


Atualmente as empresas utilizam-se de ferramentas disponíveis e previstas pela legislação. Buscam utilizar essas previsões legais para reduzir os custos tributários de suas organizações. Podem optar por regimes tributários de acordo com suas atividades, podem seguir diferentes formas de apuração, porém devem fornecer as informações que atendam às necessidades dos usuários das demonstrações contábeis e ao fisco, bem como o risco que envolve a operação.


A gestão de risco da instituição deve ser realizada por profissionais com experiência e habilidades em gestão de negócio. Por se tratar de uma questão do risco fiscal o planejamento tributário torna-se de suma importância, visto que a organização é tida com responsabilidade solidária pelos profissionais que são colocados em nossa atividade.


Deve haver preocupação com o contrato, mantendo cláusulas que obriguem a prestadora a apresentar relatórios e comprovantes de sua condição perante o Fisco, bem como as informações das atividades realizadas, para que as mesmas estejam em conformidade com o serviço contratado.


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O assunto Terceirização é polemico e às vezes contraditório, mas existe uma tendência em estimular a inserir conhecimento de assuntos dos quais a organização não possui em seu quadro ou mesmo possuindo a quantidade de recursos não é o suficiente para suprir a necessidade. Portanto, é necessário compreender que contratar um terceiro exige um objetivo, o de melhorar ou programar mudanças nos procedimentos ou processos operacionais, mas nunca perder de vista que o risco continua sendo do tomador dos serviços.


Nesse aspecto, a terceirização caracteriza-se como uma ferramenta de gestão contemporânea e deve ser encarada não só pelo seu aspecto econômico financeiro para a instituição, mas também como umas soluções para os gargalos operacionais da instituição. Seja pelo capital de investimento, pela profissionalização das atividades meio ou por manter o foco da instituição em sua atividade principal, os principais trunfos da terceirização estão no ganho da competitividade da organização.


6 – REFERÊNCIAS


LATORRACA, Nilton.   Direito Tributário: Imposto de Renda das Empresas. São Paulo, Atlas, 2000.


KAPLAN, Robert S.; COOPER, Robin. Custo & Desempenho. São Paulo: Futura, 1998.


PONTES, Rosilane; GUIMARÃES, Valesca Nahas. Implicações da Globalização da Economia na Administração da Produção: Estudo de casos no Setor de Confecções de Santa Catarina. Anais XXI Encontro Anual da ANPAD, 1997, Rio das Pedras RJ. Ed. Salvador, 1997

GIOSA, Lívio Antonio. Terceirização: Uma Abordagem Estratégica. São Paulo: Ed. Pioneira, 1997.


RAMOS, Dora Maria de Oliveira. Terceirização na Administração Pública. São Paulo: Ltr, 2001.


MARTINS, Sérgio Pinto. A Terceirização e o direito do trabalho. São Paulo: Atlas, 2001.


ROCHA, Leny Alves et al. Gerência administrativa. Rio de Janeiro: SENAC Nacional, 1998.


LATORRACA, Nilton, Direito tributário. Imposto de Renda das empresas. 15. Ed. São Paulo. ATLAS, 2000.


NEVES, Silvério das; VICECONTI, Paulo E. V. Contabilidade Avançada e Análise das Demonstrações Financeiras. 15ª ed. São Paulo: Frase, 2007.


OLIVEIRA, Gustavo Pedro de. Contabilidade Tributária. 3. ed. rev. e atualizada. São Paulo – SP: Saraiva 2009.

OLIVEIRA, Luís Martins de; [et al]. Manual de contabilidade tributária. 6ª Ed. São Paulo: Atlas, 2007.


15



LEIRIA, Jerônimo Souto; SARATT, Newton. Terceirização: uma alternativa de flexibilidade empresarial. São Paulo: Gente, 1995.


HORNGREN, Charles T.; FOSTER, George; DATAR, Srikant M. Contabilidade de Custos. 9ª ed. Rio de Janeiro: LCT, 2000.

IUDÍCIBUS, Sergio de. Análise de Custos. São Paulo: Atlas, 1993.





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(*) Informações sobre o autor:

SCAVASSA, Júlio César. Contabilista; Administrador de Empresas, com ênfase em Comércio Exterior, pela PUC de Goiânia-GO; MBA em Gestão de Negócios, Controladoria e Finanças Corporativa/IPOG – Instituto de Pós-graduação. Goiânia – GO. Especializado em cálculos trabalhistas.