sexta-feira, 11 de abril de 2014

Os irresponsáveis


João Bosco Leal
Irresponsável xDurante nossas vidas, conhecemos ou mesmo já nascemos próximas de algumas pessoas diferentes da grande maioria. São pessoas que, ao que parece, vivem outra vida, diferente da dos outros, onde acontece ou deixa de acontecer tudo de forma absolutamente diversa do que ocorre com a maioria das outras pessoas.
São pessoas que vivem da imaginação, normalmente bastante distante da realidade, onde tudo é possível, nada é difícil e tudo se resolve da maneira mais fácil, desde que, claro, tudo ocorra de acordo com o que elas esperam ser a solução para quaisquer dos mais diferentes acontecimentos da vida.
Quando imaginam algo, mesmo sendo algo que levará anos para ser construído, já começam a falar sobre a obra pronta e de como ficou bonita aquela planta no jardim antes de o primeiro tijolo ser assentado. Apontam detalhes do seu imaginário como se pudessem tocá-lo naquele momento de sua narrativa.
Por parecer não serem afetadas por nada do que para os outros é real, são pessoas carismáticas,  muito simpáticas, sorridentes, leves, e nada do que incomoda, irrita ou enerva as outras pessoas parece atingi-las. Acreditam em tantas facilidades que acabam deixando de cumprir, na vida real, detalhes que para os outros são de fundamental importância, como as contas do dia a dia, desde água, luz, telefone, IPVA e IPTU, até as obrigações perante o fisco. Imaginam que, se forem cobradas, sempre poderão fazer um acordo e pagar menos ou em melhores condições.
Passam sua vida esperando por algo como anistias de multas e juros para aí sim negociar um pagamento de longo prazo e, mesmo assim, costumam não cumpri-lo. Imaginam que, com o passar do tempo, dívidas como as federais, mesmo quando acionadas na Justiça, se forem proteladas através de artifícios jurídicos, prescreverão, o que, sabemos todos, nem sempre ocorre.
Acabam, com isso, se complicando contábil ou juridicamente, sendo desacreditadas moralmente, tendo situações constrangedoras – como a de ser cobrado ou notificado por oficiais de justiça diante da esposa ou filhos – e nem assim parecem se incomodar ou buscar mudanças, pois continuam acreditando que tudo se resolverá facilmente.
Os problemas começam a se avolumar cada vez mais, de modo a se tornarem insolúveis e elas acabam sendo obrigadas a viver sem nada em seu nome, sem crédito, contas correntes, cartões de crédito e tudo o que é bastante comum para todos os que as cercam, mas que vivem a realidade.
Nesse ponto, começa a ocorrer algo ainda mais triste, pois sempre fugindo da realidade, colocam bens e fazem compras em nome de outras pessoas, desde pequenos objetos a imóveis, e normalmente não cumprem também com a responsabilidade sobre aqueles bens, prejudicando agora aqueles que, pensando ajudar, permitiram que algo de terceiros fosse colocado em seu nome.
E o sonhador inicia agora um novo ciclo, onde começará a dar, para os seus normalmente muito próximos, o prejuízo financeiro, moral e ético que, em seu nome, já foi totalmente consumado, machucando, assim, pessoas como filhos, esposas, irmãos e mães.
Entretanto, quando é ele o credor, fica horrorizado quando alguém não o paga no exato vencimento da dívida, falando mal e xingando este seu devedor, esquecendo-se completamente, no entanto, de que é exatamente aquele o seu comportamento, e que, com ele, está destruindo vidas e sonhos reais daqueles a quem prejudicou.
Os irresponsáveis não aceitam quando a irresponsabilidade de outros os atinge.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

RECEITA PARA TER SEMPRE RAZÃO - Por HUMBERTO PINHO DA SILVA

  






Entre os poucos amigos de meu pai, havia o Mário Macedo. O Mário, era um jovem de vinte e poucos anos, magro, alto, bem-falante, e de resposta pronta.

Certa ocasião veio a nossa casa, e como amigo que era, foi recebido na pequena salinha, contigua à cozinha, onde tomávamos as refeições. As cerimoniosas eram sempre encaminhadas para ampla sala, que ficava no segundo andar, onde havia pesados reposteiros, móveis sisudos e bustos de gesso, pousados em altas colunas, que primavam pela robustez.

Ora, dessa vez, o Mário, que era de conversa fácil, deslumbrou pela erudição.

Meu pai, estupefacto com tanta sabedoria, não se conteve e louvou o conhecimento, mormente a extraordinária memória:

- Não conhecia essa faceta. Você é jovem, mas demonstra cultura invulgar, e capacidade de citar a propósito, pensamentos oportunos. Dou-lhe os parabéns, e gabo-lhe a memória. A minha é de papel, e vejo-me, muitas vezes, atrapalhado para encontrar fichas e recortes de jornais, em desalinho.

Sorriu-se o maroto do Mário. Piscou os olhos gaiatos e a grandes gestos, encarou meu pai, após circunvagar a vista pelos presentes, que permaneciam de boca escancarada, perante novo Salomão. Exclamou a risadas:

- O Senhor Pinho também pode fazer o que eu faço!...

- Como assim?! Explique-se?!

- É muito simples! Dantes, ao ter uma ideia, uma opinião, diziam: “ Estás a filosofar!”, “ Ainda não conheces a vida!”, “És muito novo! …”; ou então: “Nem parece teu! É uma criancice! Um disparate! …” Lembrei-me, então, recorrer a autoridades incontestáveis…”

- E decorou reflexões de homens célebres para empregá-las no momento exacto. - Acrescentou meu Pai.

- Nada disso! - Retorquiu o jovem. - Quando surge a ideia, não digo que é minha, mas de conhecido economista, famoso político ou intelectual de renome, e o parecer é acatado e até louvado.

Como meu pai ficasse admirado com o atrevimento, o Mário, acrescentou, soltando larga risada:

- A semana passada estive com o abade de*** Tinha lido, em publicação religiosa, referências a Encíclicas e a teólogos famosos. Colhi nomes e atirei opiniões minhas como fossem deles. O bom sacerdote, entrado em anos, engolia em seco e assarapantado, dizia:” Está bem! …Está bem! …; mas não se pode acreditar em tudo que os teólogos dizem…”

E rematou, com sonora e alegre gargalhada:

- Sabe, Senhor Pinho! Poucos são os que conhecem mais que nomes e lombadas de livros…Depois, ninguém gosta de parecer ignorante! …


HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal




sexta-feira, 21 de março de 2014

A ostentação - Por João Bosco Leal



A ostentação
Sempre achei que a mulher paulistana é, no geral, a mais elegante do país, principalmente porque nela, a qualquer momento e em qualquer lugar, podemos observar aquela máxima de que o menos é sempre mais. Passeando pela cidade na semana passada, observava o nítido contraste entre estas e as interioranas.
Enquanto a paulistana é uma mulher que nunca peca pelo excesso, facilmente podemos identificar a mulher do interior do país que, pelo contrário, peca pelo mais. São mulheres que se enchem de adereços como colares, anéis, pulseiras, pinturas exageradas, roupas espalhafatosas, utilizam mais do que o necessário e acabam, com isso, ficando vestidas de mau gosto.
Nota-se claramente a paulistana como uma mulher bem resolvida, autoconfiante, que com uma simples calça jeans, uma camisa masculina branca com as mangas arregaçadas e uma pintura discreta a ponto de parecer não estar pintada, está sempre bem arrumada, enquanto a outra, que pretende se passar por elegante logo demonstra que não é.
 Desde a década de 70 quando lá residia para estudar sempre observei que as paulistanas, sem deixar de comprar produtos da melhor qualidade, sempre fazem suas compras em locais mais baratos e não tem sequer interesse em lojas mais badaladas, caras.
A mulher interiorana, por outro lado, por ostentação ou por ignorância, logo que chega à cidade procura se dirigir a lugares mais "na onda", como aquele que até pouco tempo era o maior templo de lojas de grife do país, também conhecido como um local cujos donos sempre estiveram envolvidos em escândalos com a receita federal por sonegação de impostos, o que provocou seu fechamento.
Procuro entender o que leva uma pessoa a esse comportamento, até porque muitas dessas pessoas mal possuem o dinheiro para pagar táxi que a levou até lá, quanto mais para frequentar locais onde todos os valores são exorbitantes.
Conheço muitas pessoas de outros locais do país que realmente possuem dinheiro, muito dinheiro, que não demonstram o menor interesse em fazer compras em um local como esse, que sequer os visitam quando estão na cidade, enquanto outras, com muito menos recursos ou com nenhuma posse, não admitem a idéia de ir a São Paulo sem passar por locais como esses ou como na famosa rua das lojas de grife, a Oscar Freire, mesmo sem nada comprar, mas para contar onde estiveram mostrando fotos em que aparecem sentadas num banco diante de uma de suas lojas e que a moda agora é isso ou aquilo.
Por diversas vezes vi pessoas deslumbradas com a ostentação de uma famosa e das mais antigas apresentadoras da televisão brasileira que usava anéis, pulseiras e colares de milhões de reais, valores inimagináveis para a grande maioria da população brasileira, que se encantavam ao vê-la usando essas jóias verdadeiras e depois buscavam usar bijuterias semelhantes.
Não é a imaturidade que leva pessoas a esse comportamento, até porque conheço pessoas com a idade já bem madura que muito ostentam, apesar de não possuírem nada. São pessoas que não cresceram, continuam crianças, dependentes, principalmente da opinião de terceiros.
Imagino como deve sofrer uma pessoa que para estar bem precisa mostrar que está e com isso torna-se fútil, vazia, enquanto outras que sabem quem são culturalmente, não precisam demonstrar nada, são autoconfiantes e por onde passam são assim reconhecidas.
As pessoas que muito ostentam podem até ser materialmente ricas, mas são culturalmente pobres.
João Bosco Leal*         www.joaoboscoleal.com.br
*Jornalista e empresário

sexta-feira, 14 de março de 2014

QUANDO FAZIA ENTREVISTAS - Por HUMBERTO PINHO DA SILVA


 








No final do século XX, realizei série de entrevistas a figuras que se notabilizaram, na Arte, no Desporto e na Política.

Foi trabalho agradável, não só pela oportunidade de contactar figuras públicas, que apenas conhecia através da TV e imprensa, mas, mormente, ter ficado a conhecer, um pouco, do pensar e da vida íntima de cada um.

Houve recusas; poucas; já que as entrevistas não eram agressivas. Só respondiam, se queriam.

A pedido, desliguei em muitas, o gravador, quando faziam confidências que não desejavam ver publicadas.

Numa, jovem deputado, recentemente saído de juventude do partido, revelou-me reações e modo de pensar de quem frequentava a vida pública portuguesa.

O que mais me impressionou, foi ter declarado a precisão de obter curso superior para ocupar lugar de relevo na política.

Qualquer um servia, mas os mais usuais eram os de Direito e Economia “Quem não têm “Dr.”, é tratado como inferior, não só pelas bancadas dos outros partidos, como pelos nossos.” - Confessou.

Disse-me, que não o declaram abertamente, até chegam a louvar a “habilidade” e a forma como se “ desenrasca” de situações difíceis; mas no falar, nota-se, que para ser respeitado, têm que ter frequentado a Universidade.

Há quem tenha só os cursos da “Universidade da Vida “, e faça sucesso, mas esses são os “ revolucionários” da direita e da esquerda.

Anos mais tarde, no final da primeira década do século XXl, vim a saber que o jovem político tinha razão, ao conhecer o caso do deputado que era engenheiro, não o sendo, e o que usava o título de “Dr.” e mal passara pela Faculdade.

A maioria dos entrevistados desconheciam pormenores dos progenitores, como: datas de nascimento, casamento e local onde os pais se matrimoniaram. Senhora, que ocupava cargo de diretora numa Fundação, por ser familiar do benemérito, confessou-me que nada sabia do fundador, mas iria perguntar aos avós!...

Outros, todavia, veneravam, os pais, e guardavam, como relíquias, fotos e objetos do familiar falecido.

Certo dia, uma viúva, terminada a entrevista, após lhe ter pago o café e as torradas, perguntou-me quanto lhe dava pelas informações prestadas.

Tratava-se de senhora, que fora casada com industrial, e segundo me disseram, vivia muito desafogadamente.

As informações que me transmitiu, eram breves dados biográficos, do marido.

Houve de tudo. Foram mais de centena e meia, e permitiram-me conhecer melhor a sociedade em que vivia.




HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal


publicado por solpaz às 15:35

domingo, 23 de fevereiro de 2014

ISAURA CORREIA SANTOS - UMA ALENTEJANA DE ALEGRETE - Por HUMBERTO PINHO DA SILVA




  

Em Março de 1914, em plena planície alentejana, nascia a escritora Isaura Correia Santos.

Muito jovem, casou-se com o pintor Abel Santos. Tinha dezassete anos. Era uma menina bonita, moderna e muito determinada.

Publicou trinta e três obras, entre livros e opúsculos. Notável conferencista, trabalhou em Londres, como jornalista da BBC.

O governador do Texas, concedeu-lhe, em reconhecimento da actividade como jornalista e cronista, de grande mérito, o título de cidadã honorária do Estado do Texas.

Suas crónicas apareceram na “ República”, “ O Comércio do Porto”, “ O Primeiro de Janeiro” e em numerosos periódicos locais. Eram, em norma, incisivas e mordazes, todavia nada irreverentes.

Aos sábados, reunia em sua casa, na Praça da Galiza, no Porto, pequena tertúlia. Abordava-se, então, temas: políticos, económicos e mormente literários.

À hora do “ chá”, a Filó – a empregada – colocava sobre a alva toalha adamascada, chávenas de fina porcelana, todas diferentes, mas de grande beleza.

Lembro-me que uma das assíduas frequentadoras, era Dora Correia da Silva, da “ Crónica Feminina”, e o poeta, muito espirituoso e excelente conversador, Jorge Condeixa.

Tinha, a escritora, em Soutelinho, casa de férias, onde, de longe a longe, repousava. No pino do Verão, ia a banhos, para o Estoril.

Certa vez, ao entrar no carro, que estava estacionado na estrada Povoa – Vila do Conde, foi colhida por viatura, e teve que ser hospitalizada, gravemente ferida.



                                                              Isaura Correia Santos -  Desenho de Abel Santos

Fui visita-la à Ordem da Trindade. Certa ocasião, ao entardecer, confidenciou-me: “ Agora começam a ver melhor o interior, a compreender a Vida e seus segredos…” E prosseguiu, em voz dolente: “ Apesar da pouca fé que tenho, confio Nele, e espero a Sua misericórdia.”

E mais adiante:

“ Tenho rezado muito. Este acidente fez-me compreender o que nunca tinha conseguido alcançar.” - E concluiu: - “Não se esqueça de mim, nas suas orações...”

Já convalescente, numa visita que lhe fiz a sua casa, revelou-me que andava preocupadíssima com a saúde da Filó (Filomena).

Telefonou-me uma tarde de Julho, de 1988, muito aflita, dizendo-me que a Filó havia falecido e que se sentia muito só e muito triste.

A escritora, que recebeu o prémio “ Maria Amália Vaz de Carvalho”, era autora da conhecidíssima colecção de livros para crianças: “ O Senhor Sabe Tudo Contou…”

Pouco depois do telefonema, foi internada no Hospital do Carmo. Confessou, durante o internamento, a amiga: “ Não receio morrer - até desejo, - visto acreditar numa outra Vida e principalmente na misericórdia de Deus.”

Em fresca, mas luminosa manhã de Fevereiro, do ano de 1989, fui visitar Frei Martinho Manta, aos Padres Franciscanos, na Rua dos Bragas.

Ao entrar na salinha de visitas, este, de rosto contornado disse-me:

- "Morreu uma grande Senhora do meu Alentejo: a escritora Isaura Correia Santos."

Cumpria-se a “profecia” da Filó, proferida dias antes de morrer: “ A minha senhora não vai durar mais de seis meses, após a minha morte!”




HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal

publicado por solpaz às 14:37

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A IGREJA PRECISA DOS IDOSOS - Por HUMBERTO PINHO DA SILVA

 





Eu tenho um amigo, daqueles que sempre estão presente nas horas amargas, que era catequista.

Semanalmente, nos fins-de-semana, abalava para o “ interior”, deixando a família, para participar na preparação da catequese.

Certa vez confessou-me: “ Quando for aposentado vou-me dedicar às atividades da Igreja da minha terra e à agricultura. Tenho um campinho na retaguarda da casa que ergui na aldeia e vou cuidar das árvores de fruta e da hortinha.

O tempo passou e ele sempre a sonhar com a reforma que lhe permitiria organizar melhor a catequese da paróquia, já que era o coordenador.

Um dia atingiu a idade necessária para se retirar. Despediu-se de olhos marejados dos colegas; pela derradeira vez visitou a banca de trabalho, testemunha de horas alegres e de muitas e muitas angústias; e definitivamente partiu para a terra natal.

Não deixou, porém, de passar pela livraria católica em busca de material para as aulas da catequese. Como as verbas para a evangelização dos jovens eram escassas, despendeu muito de seu bolso.

Era um sonho há muito idealizado.

Mal chegou foi prestes à reunião da catequese. Admirou-se, porém, que o abade, velho companheiro nas lidas religiosas, estivesse presente.

Aberta a reunião, o padre urdiu eloquente palestra entremeada de rasgados elogios ao meu amigo. Apoiavam enternecidos os presentes as palavras do sacerdote. Ao concluir ofertaram bonita bíblia, de folhas doiradas, encadernada a pele.

No ato da entrega, disse o abade:” Chegou o momento de descansar. É justo que o libertem das árduas canseiras que lhe roubaram horas de recreação. É mister sangue novo. Já indigitei novo coordenador, e faço votos que ao aposentar-se, tenha finalmente o merecido repouso, junto dos que lhe querem bem.”

Escusado será descrever a desilusão que sofreu o meu amigo. Mesmo assim teve ânimo para agradecer, lembrando que não se sentia velho, e muito podia dar à Igreja.

Este caso verídico faz-me refletir na perda que a Igreja tem ao desprezar o trabalho dos idosos.

Há muito que lembro – mas poucos escutam, – que muitos professores, homens de valor, ilustres catedráticos, após aposentação, podem ser excelentes sacerdotes (diáconos e padres), consoante os casos, com reduzido estudo no Seminário Maior.

O aposentado, em regra, tem tempo disponível; não carece de trabalhar para sobreviver; e pode perfeitamente dispor, graciosamente. ainda de vinte anos ou mais, ao serviço de Deus.

Desaproveitar conhecimentos e disponibilidades é erro crasso, mormente em época em que a falta de sacerdotes é notória.

Bom era que as dioceses incentivassem os crentes idosos a participarem nas atividades das paróquias, de harmonia com os conhecimentos e saúde de cada um.




HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal



publicado por solpaz às 11:49
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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A VIOLÊNCIA DOMESTICA E O NAMORO - Por HUMBERTO PINHO DA SILVA



 





A violência doméstica, mormente entre conjugues, não é novidade, muito embora se dê, nos nossos dias, maior atenção.

No entanto mostra faceta nova e preocupante, já que se encontra mais complexa.

Se outrora a desavença era fruto de palavras mal pensadas ou efeito de álcool, ou ainda pelo marido considerar que a esposa era propriedade sua, atualmente não é alheio a “droga”, e até, em casos graves, o crime organizado.

Quem o diz é a vice-presidente da Associação das Mulheres Contra a Violência, Dona Margarida Medina Martins, referindo-se ao que se passa em Portugal.

Quando se fala de violência doméstica, logo se pensa que a vítima é a mulher. Na verdade, na maioria dos casos, é; mas há violência sobre homens e idosos.

Muitos, são barbaramente espancados, em casa, e sofrem, em regra, em silêncio absoluto, por vergonha.

O facto de usufruírem menor rendimento ou dependerem financeiramente do conjugue - é mais gritante no homem, já que este sente-se complexado por ter habilitações ou salário inferior à esposa - leva-os a sofrerem, em silêncio, agressões físicas e psíquicas.

Nas últimas décadas, verifica-se tendência crescente da agressividade entre jovens.

Estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, refere que cerca de 20% dos jovens, de 21 anos, já agrediram a namorada; e 60% admitem terem exercido violência psicológica durante o namoro.

Ao serem interrogados, cerca de 3000 jovens, qual espécie de violência exerceu durante o namoro, 18% admitiram terem atirado objetos com intenção de magoarem.

Quem ler, assiduamente, a imprensa, facilmente constata que atos de violência e agressões, são frequentes entre jovens namorados, praticados por ambos os sexos. Embora haja preponderância dos rapazes coagirem as namoradas psicologicamente, e exercerem agressões mais ou menos violentas.
Se o namoro começa assim, não admira que as desavenças surgem logo após o casamento.

Digo casamento, pensando, também, no que antigamente se dizia: “ juntar os trapinhos”, porque grande parte dos jovens não quer compromissos sérios.

A perda de valores, ausência de educação religiosa, a influência malsã de muita mass-media, e o facto dos progenitores não cuidarem – por falta de tempo ou desinteresse, – da formação e educação dos filhos, leva que a sociedade gere jovens consumistas, que apenas buscam o lucro e o prazer, não tendo bitolas para obtê-los.

Sendo assim, não admira que as nossas cidades tornem-se mais violentas, e que a mocidade, veja no seu semelhante, não um ser humano, mas alguém que lhe pode dar lucro ou prazer.




HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal