quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

HAVERÁ CRÍTICA HONESTA ? Por HUMBERTO PINHO DA SILVA









Em tempos de mocidade - e já lá vão muitos anos, - assisti a interessante colóquio, na Casa dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, com o escritor Joaquim Paços d’Arcos, sobre o romance que acabara de publicar: “Ana Paula”.

Após minuciosamente ter exposto o enredo do livro e abordado a figura da protagonista, foi interrompido pelo crítico Óscar Lopes, lembrando -lhe que o romancista não entendera bem a personagem Ana Paula.

Joaquim Paços d’Arcos emudeceu por momentos, e em aparte murmurou: - “Não saberei o que escrevi!?…”

Era jovem e nutria por Óscar Lopes, respeito e admiração, não fosse ele coautor da História da Literatura, adotada no liceu, mas não entendi o propósito da intervenção, quiçá devido à minha pouca idade.

Acabo de receber “ O Varzeense” , logo na capa deparo com brevíssima biografia de Óscar Lopes, de Aniceto Carmona, declarando que paralelamente com a atividade de professor, foi militante comunista do PCP, desde 1945 - “O Varzeense”,15/2/2012.

Logo saltou-me ao pensamento se o parecer do crítico não teria a ver com ideologias políticas, atitude frequente no nosso país.

Esclareceu-me o matutino portuense, pela pena de Manuel António Pina, em que este diz que o Suplemento Literário do “JN” terminou por “ não ter sido devidamente louvado um medíocre romance do escritor do regime Joaquim Paços d’Arcos - “Jornal de Notícias, 26/0l/2012.

À distância de cinco décadas não posso asseverar, se Óscar Lopes tinha ou não razão para essa atitude, fico na dúvida, mas se tivermos em conta o ensaísta Cruz Malpique - não há em Portugal, crítico honesto, e creio que será difícil que o haja noutros países: “ A crítica entre nós, é a impressão escrita sobre os joelhos, com a pressa de quem vai salvar o pai da forca; escrita por amizade, ou por antipatia; as nem sim nem sopas; a de ajuste de contas (agora é que ele vai saber de que força é o filho do meu pai!); a de ciúmes recalcados…” - “Notícias de Guimarães”, “Crítica Literária”, 04/10/91.

Bem disse Pedro de Moura e Sá - se dissermos que: “ este poema é mau queremos muitas vezes afirmar que o autor pensa, em matéria política, de maneira diferente da nossa.” - “ Vida e Literatura” (Vol. Póstumo, pág. 101/2.)

É bem verdade, que sem proteção de um gato de botas, dificilmente chega-se Marquês de Carabás. Assim pensa também Jorge Sampaio (ex-Presidente da República) ao asseverar que nunca foi: “ da Maçonaria, da Igreja ou de qualquer grupo económico. Chegar onde cheguei, nestas condições é obra. Porque é muito difícil ser independente em Portugal.” - “Única”, citado pelo “ Jornal de Tondela”, 31/08/06.

Jorge Sampaio é destacado membro do maior partido português. Se o não fosse, chegaria onde chegou?

Termino com antigo rifão, citado na “ Corte na Aldeia”: “ Cada um dança segundo os amigos que tem na sala” - se não tem, não dança.



HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal


publicado por solpaz às 11:41
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Os toques - Por João Bosco Leal (*)


8 de fevereiro de 2013 


Os toques
Deixar ir 03Apesar da pouca importância que lhes damos, ou que no dia-dia sequer percebamos sua existência, os órgãos sensoriais visão, audição, paladar, olfato e tato, são os responsáveis pela integração social de cada indivíduo do planeta Terra.

Com a visão podemos nos aproximar de lugares muitas vezes distantes, como a lua e as estrelas, evitamos tropeçar nos obstáculos por onde caminhamos, admiramos as belezas da natureza, da pessoa amada e, sem ela, tudo seria mais difícil.

Pela audição, recebida pelo canal corporal por vibrações, somos educados, tomamos conhecimento das notícias e satisfazemos nossas curiosidades culturais ao ouvir, durante toda a vida, respostas aos questionamentos sobre os mais diversos assuntos e coisas que nos fazem rir, chorar ou ficarmos maravilhados, como o choro do recém-nascido, o canto de um pássaro, o vento na folhagem e a água escorrendo da fonte no alto do morro em direção do mar.

Através dos modernos meios de comunicação atualmente existentes, quando utilizada juntamente com a visão é possível nos comunicarmos com pessoas que estão do outro lado do planeta ou mesmo em outro, como a Lua, vendo-as e ouvindo-as ao mesmo tempo, eliminando assim qualquer distância que no passado dificultava a comunicação e a integração entre pessoas, povos e nações.

Com o paladar saboreamos todas as variações entre o doce, o amargo e o ácido, os prazeres que a alimentação nos proporciona e milhões de outros como aqueles sentidos durante um beijo. Pelo olfato é possível perceber todas as variações existentes de cheiros, como o da terra após a chuva, dos perfumes, de coisas frescas ou estragadas e o da pessoa amada.

Mas é o tato nosso maior sensor, tanto que ele é capaz de suprir a maior parte das necessidades das pessoas com deficiências visuais. Com ele sentimos a rigidez ou flacidez dos objetos, sua temperatura, textura, ou experimentar prazeres, como os sentidos quando suavemente tocamos a pele de nosso parceiro.
Milhares de outros prazeres, como cócegas ou arrepios, são todos provenientes de toque físicos, mas com a idade aprendemos a importância de tocar as pessoas – principalmente aquelas que nos são queridas -, de outra maneira, a emocional.

Quando já maduros nos apaixonamos e amamos de modo diferente daquele de nossa juventude, pois agora estamos em busca de tranquilidade, companheirismo, cumplicidade e, principalmente, de amizade. É uma fase quando já aprendemos a importância de constantemente elevar a autoestima de seu parceiro, aceitando-o como é, e não tentando moldá-lo à sua imagem imaginária de pessoa perfeita.

Passamos a perceber a importância de tocá-la emocionalmente. Pequenas lembranças como a de, sem que ela espere, comprar no supermercado sua fruta preferida, levar-lhe flores ou trazer qualquer outro tipo de lembrança quando viaja, são demonstrações de carinho que fazem a pessoa sentir-se amada.

Esse tipo de atitude certamente tocará profundamente sua parceira, atingindo-a em seu sentimento mais íntimo, comumente chamado de alma e naquilo que é mais importante na manutenção e crescimento de um relacionamento maduro: o sentir-se querida.

Ela pode esquecer o que você disse ou fez, mas nunca o que a fez sentir. E provocar  a elevação da autoestima da companheira gera retribuições exponenciais.

(*) João Bosco Leal - jornalista, reg. MTE nº 1019/MS, escritor, articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários.

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sábado, 2 de fevereiro de 2013

LILICA: UM EXEMPLO PARA TODOS - Por HUMBERTO PINHO DA SILVA











Lilica é cachorrinha vira lata. Não tem dono, nem casa, nem casota, para se abrigar. Vive desamparada, em imunda lixeira.

Cansados da cadelinha, abandonaram-na em local onde abunda ferro velho e velhos utensílios imprestáveis.

Ficou só, triste, perdida entre asquerosos desperdícios, entre animais muito magrinhos, muito enlameados, muito raquíticos., que vegetavam, ruminando comida suja e deteriorada.

Para aumentar a desdita, teve oito encantadores cachorrinhos, que eram seu enlevo. Mas, se o alimento escasseava para ela, como iria saciar a fome dos filhinhos queridos?

Como mãe, e mãe carinhosa, sabia que competia-lhe a obrigação de cuidar dos filhotes.

Desesperada, de coração contrito, abala, em busca do sustento, por ruas e becos da cidade.

Depois, mais afoita, caminha, cautelosamente, por movimentada estrada. Conhece a indiferença, a maldade, os sentimentos cruéis dos humanos.

Se nada fizer, seus filhos morrerão. Mergulhada nesse aflitivo pensamento, procura, busca, pede, suplica. É mãe, e como mãe extremosa, ama os filhotinhos.

Quis Deus; sim quis Deus, porque, como dizia o Santo de Assis, os animais também são criaturas do Omnipotente, que deparasse com quem a compreendesse.

Terminada a farta e saborosa refeição, Lilica lembrou-se dos filhinhos, que lá longe, esfomeados, aguardavam seu regresso. Tenta, sem êxito, arrastar a saquita, que continha a apetitosa comida. Depois, desanimada, volvendo o focinho, atira  olhar suplicante para a benfeitora.

Entenderam-na, e caridosamente, ataram a saquinha plástica.

Por curiosidade ou amor, vão no encalço, no propósito de descobrirem onde morava.

Galga dois quilómetros, pela borda da estrada, sempre com a saquinha bem presa nos dentes, e vai depositá-la junto dos filhos, que ansiosamente a esperavam.

Os cachorrinhos cresceram. Foram adoptados; mas Lilica, recorda que no ferro-velho há animais indefesos, que precisam dela.

E assim, diariamente, pela quietude da noite, quando o movimento acalma, embuçada na negridão da noite, trilha a estrada, evitando assim a crueldade da molecagem, para tomar a refeição, que benfeitora prepara com ternura e amor.

Abarca depois a saca, e percorre dois perigosos quilómetros, para chegar ao local onde os esfomeados animais a esperam.

O gesto altruísta, já é admirado e divulgado, por todos que se sensibilizam com a atitude, de extrema caridade, da humilde Lilica. A meiga cachorrinha bem merecia – a exemplo do que se passa noutros países, por gestos menos nobres – que a população e o Município de São Carlos, erguesse, como exemplo para a juventude, monumento, em praça pública da cidade, para que não se esqueça o extraordinário gesto de bondade, da pobre cachorrinha.

Bem queria que todas as mães fossem tão carinhosas e tão altruístas, como a rafeira de São Carlos.



HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal





publicado por solpaz às 17:29
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Nossas buscas - Por João Bosco Leal (*)

25 de janeiro de 2013 
João Bosco Leal
Paixões 04Podemos sentir diferentes, mas verdadeiros tipos de amor por pessoas distintas, como nossos avós, pais, filhos, namoradas, esposas ou outras.

Independentemente de por quem nutrimos esse sentimento, o importante é que amar faz bem a quem ama e a quem é amado. Entretanto, nem sempre isso é possivel e constantemente se observa amores não correspondidos, o que torna esse amor bastante dolorido para quem o sente.

Motivos diversos, como maiores ou menores afinidades entre duas pessoas – mesmo pais e filhos -, podem levar a sentimentos muito dolorosos para quem ama e percebe não ser amado, por não entender como, com tanto para dar, muitas vezes sequer é notado, ou é preterido por outra que sabe não amar aquela pessoa como ela.

Há pessoas que dizem manter ou haver mantido um relacionamento por “dó” do outro, que muito lhe amava, o que gera a destruição das duas vidas, uma por não ter seu amor correspondido e da outra por permitir uma situação em que não possui felicidade e nem permite que o outro – mesmo que com um sofrimento inicial -, tenha a oportunidade de encontrar outra pessoa que o ame.

Um dos principais motivos de tantos relacionamentos fracassarem é exatamente o fato da maioria das pessoas não serem mais capazes de permanecer só por um tempo, e com isso acabam se unindo ao primeiro que aparece, sem pensar que de nada adiantará, não durará, ou que podem provocar dor no outro e, mesmo após perceberem haver errado, adiam rupturas simplesmente para não ficarem sós.

A história mostra centenas de casos de crimes ocorridos por causa de sentimentos de pessoas que se sentiram traídas, menosprezadas ou até as que cometeram suicídio por terem sido impedidas de ficarem juntas, como Romeu e Julieta.

Entretanto, através dela também é possível saber de milhares de casos de amores correspondidos, bem sucedidos, de pessoas que, juntas, construíram lindas histórias de amor e vida.

Porém, na sociedade atual, com milhões de casamentos desfeitos, é comum vermos pessoas buscando novos relacionamentos, sem demonstrar ter aprendido o básico em qualquer um dos seus anteriores.

O ponto de partida para o sucesso amoroso é, necessariamente, a correspondência de sentimentos. Nenhum deles obterá sucesso se for dedicado somente por um dos lados. Amizades, namoros ou casamentos jamais sobreviverão com um desejo unilateral.

Mesmo os que fracassaram em diversas tentativas não devem desistir, pois certamente aprenderam algo e amadureceram com cada uma delas e o próximo encontro pode ser com a pessoa que sempre buscou.

A busca deve ser por alguém capaz de transformar pequenos instantes em grandes momentos.
  
(*) João Bosco Leal - jornalista, reg. MTE nº 1019/MS, escritor, articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários.

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domingo, 20 de janeiro de 2013

A PÁTRIA É UM GRANDE CONDOMÍNIO - Por HUMBERTO PINHO DA SILVA











Por certo já vos contei o que aconteceu quando fui a loja chinesa comprar material escolar. Na hora do pagamento, o comerciante, num português macarrónico, disse-me que não sabia o que era: “ factura”.

Como o material era para uma escola, havia necessidade de provar a saída de verba, com recibo ou factura.

Bem expliquei, tintim por tintim, o que era factura, mas o negociante, de olhos oblíquos, sorrisinho velhaco, apenas repetia em português quase inelegível: - “ Facturra!? … facturra !?… Não sei o que é! ; Recibo!? …recibo!?; também nõ sei.”

Não tive outro remédio se não trazer o material – que era barato – sem a respectiva fatura.

Vem este grotesco episódio a propósito da obrigatoriedade dos negociantes passarem factura.

Após ter saboreado o cafezinho, na confeitaria habitual, fiquei a conversar com um dos sócios, sobre essa obrigação.

Levantando a voz, declarou que é uma estupidez impraticável, que levará à ruína muitos comerciantes.

Discordei, argumentando que as farmácias fazem-no, seja qual for o preço do medicamento.

Respondeu-me que eram ricas, e bem podiam viver sem fugirem ao fisco.

Esquecem-se que a Pátria é um imenso condomínio. Se todos contribuírem, todos ganham. Se os condóminos não pagarem atempadamente, a manutenção do prédio não se faz. Por isso, muitos imóveis encontram-se em estado lastimoso. O mesmo acontece à Nação.

Esta mentalidade, característica dos povos latinos, leva-os à miséria e à ruína dos países.

Certa vez escutei o Dr. Bagão Félix, então Ministro das Finanças, declarar: que fizera obras em casa. Ao pedir o orçamento, o mestre-de-obras, perguntou-lhe: “ Senhor Ministro com IVA ou sem?”; ou seja com recibo ou sem recibo?

Com povos assim é impossível haver bons governantes.

E assim, os povos mais honestos, têm melhor nível de vida, do que os latinos, que se orgulham, declaradamente, de sonegarem os impostos, sempre que podem.





HUMBERTO PINHO DA SILVA  -   Porto, Portugal


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sábado, 19 de janeiro de 2013

Princípios básicos - Por João Bosco Leal


18 de janeiro de 2013

João Bosco Leal (*)
Corrupção 15Alguns princípios como moral, ética, caráter e honestidade são fundamentais para a convivência social, e todos, de qualquer nível social ou educacional, mesmo os que jamais foram a uma escola ou que cresceram órfãos possuem conhecimento da maioria destes.

Sabem que não podem ser imorais, sem ética, roubar ou cometer qualquer tipo de crime, mas em nosso país isso não ocorre, pois mesmo buscando mais informações e pesquisando sobre o significado de cada uma dessas palavras, nada encontrei além do que todos sabem, ou deveriam saber.

A moral é conjunto de normas do que é certo ou errado, proibido e permitido nas atitudes humanas dentro de uma determinada sociedade, uma cultura, e possui caráter normativo, determinando a obediência a costumes e hábitos recebidos. O conjunto de qualidades e defeitos da pessoa determinam sua conduta e moral. Seus valores e firmeza morais definem a coerência de suas ações.

A ética, construída por uma sociedade com base nos valores históricos e culturais, é um conjunto de princípios morais que norteiam a conduta humana na sociedade. Embora não seja uma lei, a ética está relacionada com o sentimento de justiça social e, buscando fundamentar as ações morais exclusivamente pela razão, serve para que haja um equilíbrio entre pessoas, grupos e classes sociais.

O caráter, qualidade inerente a uma pessoa desde seu nascimento e reflete seu modo de ser. É o conjunto de características e traços particulares que caracterizam um indivíduo, e não sofre influência do meio. Uma pessoa “de caráter” é aquela com formação moral sólida e incontestável, enquanto a “sem caráter” é aquela desonesta, que não possui firmeza de princípios ou moral.

A honestidade é a qualidade de ser verdadeiro, não mentir, não fraudar ou enganar. É a honra, de uma pessoa ou instituição. O respeito e a obediência incondicional às regras morais existentes.Honesto é o que repudia a malandragem, a esperteza, aquele que é transparente e exige transparência dos outros.

Depois da constatação dessa veracidade literária, espelho do meu entendimento, me pergunto o que levou nosso país à condição hoje existente, onde nenhum desses princípios é respeitado, principalmente pelos que deviam dar exemplos, e, convivendo nessas condições é que as novas gerações estão sendo educadas.

No chamado julgamento do mensalão, pudemos assistir a perplexidade de toda uma nação, ao assistir um dos ministros, o relator Joaquim Barbosa, simplesmente exercitar esses quatro princípios, simplesmente porque há anos não vê nada semelhante acontecer. No caso específico, o que seria normal passou a ser o anormal.

Com todas as provas existentes, mesmo as melhores e mais caras bancas de advogados do país não conseguiu absolvê-los e ainda assim alguns dos condenados se acham no direito de fazer reclamações a cortes internacionais, como se injustiçados fossem.

Segundo a Wikipédia, “vergonha é uma condição psicológica e uma forma de controle religioso, político, judicial e social, consistindo de ideias, estados emocionais, estados fisiológicos e um conjunto de comportamentos, induzidos pelo conhecimento ou consciência de desonra, desgraça ou condenação”.

Pois é o que menos possuem alguns membros do Poder Legislativo que, mesmo após a condenação de alguns de seus pares nesse caso, pretende impedir a cassação imediata de seus mandatos.

O terapeuta John Brad Shaw conceitua a vergonha como a “emoção que nos deixa saber que somos finitos“.

Pela primeira vez em décadas assistimos alguns dos mais influentes políticos do país perceberem que são finitos, exatamente por não terem tido vergonha, moral, ética, caráter e honestidade. 

(*) João Bosco Leal - jornalista, reg. MTE nº 1019/MS, escritor, articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários.

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sábado, 5 de janeiro de 2013

O HOMEM É SEMPRE O MESMO - Por HUMBERTO PINHO DA SILVA







Tive amigo, companheiro de escola, com quem conversava muitas vezes. Isto é modo de falar, ou melhor escrever, porque o nosso diálogo não passava de simples monólogo.

Nada dizia de interessante; usava frases feitas; repetia o que ouvia na TV, sem coar pelo parecer próprio; sempre a mão direita permanecia estendida, tocando-me como pretendesse acordar-me; e para desdita minha, enchia-me o rosto de vastos perdigotos, que saiam-lhe dos lábios, como repuxo de jardim.

Seu pensamento borboleteava à volta do bairro onde nascera e vivia; e os amigos eram colegas de trabalho.

Aos sábados, após o farto almoço, corria para o centro comercial, ao encontro de antigos colegas da firma, onde trabalhara, e discutia, a grandes vozes, intrigas passadas.

Nunca praticou desporto; raras vezes foi ao teatro; nunca assistira a conferências; e julgo que o único livro que lera, foram os compêndios por onde estudara.

Fugia dele, não que fosse má companhia, muito pelo contrário, mas sua conversa era maçadora e cansativa.

Hoje lembrei-me dele, ao ler “ Os Caracteres” de Teofrasto - filosofo grego, discípulo de Aristóteles e Platão.

Teofrasto descreve, no capítulo “ Da rusticidade” algumas caracteristicas do meu amigo: “ Parece-me que a rusticidade não é outra coisa senão a ignorância das boas maneiras. Vê-se, com efeito, pessoas rústicas, e sem reflexão, saírem um dia da medicina - dias em que se faziam tratamentos, que provocavam mau hálito, - não fazendo diferença entre o odor e os perfumes mais delicados; (…) falar alto e não saber reduzir a um tom de voz moderado (…). A gente vê-os assentados com vestidos levantados até aos joelhos, e de uma forma indecente. Acontece-lhe que, em toda a vida nada admiraram, nem parecem surpreendidos com as coisas mais extraordinárias que surgem nos caminhos, mas se for um boi ou um burro ou um bode, logo param a contemplá-lo. Se entram na cozinha, logo comem avidamente tudo que encontram, bebem dum trago, uma taça de vinho, escondem-se, para isso, da sua criada (…).

“ E quando vão pela rua perguntam às primeiras pessoas que encontram: a que preço está o peixe salgado? As peles vendem-se bem? (…). Outras vezes não sabendo que dizer, dizem: - Vou fazer a barba. Saí apenas para isso.”

Pela amostra pode-se avaliar que o ser humano pouco evoluiu, pois esta descrição, escrita nos anos 372-287 A. C., fotografa, com ligeiras diferenças, devido á época, o comportamento de muitos do século XXl.

A ciência evolui, mas o homem, na essência, continua sempre o mesmo.



HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal


publicado por solpaz às 13:55
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