quarta-feira, 11 de julho de 2012

TRISTE HISTÓRIA DE UM PROFESSOR, Maurício Girardi (*)




Política Nacional | 8 de fevereiro de 2012 | Envie para um amigo


Caro Maurício,
A imagem pode ser cômica, mas a verdade é triste (Luiz Carlos Nogueira)













Publicamos, abaixo, o texto que você nos envia em 05/02/2010, com vista a incentivar o debate nacional que já existe e já é refletido, ainda que muito insatisfatoriamente, pela imprensa. Veja, por exemplo, a este propósito, um recente artigo do ex-ministro cristóvam Buarque: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO DE BASE (publicado aqui mesmo, depois do seu texto, como outro post).
Parabéns pela sua reação que transcende qualquer motivo pessoal para se concentrar no significado mais político da história que você conta. O caso, como todos já deveriamos saber, envolve de cheio todo o ensino nacional. Precisamos mudar drasticamente, como você sublinha, todo o nosso sistema de ensino. O que você conta, é ujm episódio que se repete milhões de vezes, nas escolas de todo o país a cada dia. Abraços. Fernando Massote
TRISTE HISTÓRIA DE UM PROFESSOR
Porto Alegre (RS), 16 de julho de 2011

Caro professor Massote:

Meu nome é Maurício Girardi. Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre , onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio. Pois bem, olha só o que me aconteceu: estou eu dando aula para uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e, talvez, “pela entrada do inverno”, resolveu também ir á aula uma daquelas “alunas-turista” que aparecem vez por outra para “fazer uma social”. Para rever os conhecidos.

Por três vezes tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que abordávamos.
Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação que necessitava de bastante atenção de todos, toca o celular da aluna, interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma idéia e prejudicando o andamento da aula. Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se objetivo dela não era o de estudar, então que procurasse outro local, que fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam pessoas que queriam aprender’ e que o Colégio é um local aonde se vai para estudar. Então, a “estudante” quis argumentar, quando falei que não discutiria mais com ela.

Neste momento tocou o sinal e fui para a troca de turma. A menina resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na frente de colegas. De casa, sua mãe ligou para a Escola e falou com o vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto Alegre e que aquilo não iria ficar assim. Em nenhum momento procurou escutar a minha versão nem mesmo para dizer, se fosse o caso, que minha postura teria sido errada. Tampouco procurou a diretoria da Escola.

Qual passo dado pela mãe? Polícia Civil!… Isso mesmo!… tive que comparecer no dia 13/07/11, na 8.ª (oitava Delegacia de Polícia de Porto Alegre) para prestar esclarecimentos por ter constrangido (“?”) uma adolescente (17 anos), que muito pouco frequenta as aulas e quando o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores’. A que ponto que chegamos? Isso é um desabafo!… Tenho 39 anos e resolvi ser professor porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar do conhecimento e crescer. Mas te confesso, está cada vez mais difícil.

Sinceramente, acho que é mais um professor que o Estado perde. Tenho outras opções no mercado. Em situações como essa, enxergamos a nossa fragilidade frente ao sistema. Como leitor da tua coluna, e sabendo que abordas com frequência temas relacionados à educação, ”te peço, encarecidamente, que dediques umas linhas a respeito da violência que é perpetrada contra os professores neste país”.

Fica cristalina a visão de que, neste país:

? NÃO PRECISAMOS DE PROFESSORES
? NÃO PRECISAMOS DE EDUCAÇÃO
? AFINAL, PARA QUE SER UM PAÍS DE 1° MUNDO SE ESTÁ BOM ASSIM

Alguns exemplos atuais:

• Ronaldinho Gaúcho: R$ 1.400.000,00 por mês. Homenageado pela “Academia Brasileira de Letras”…

• Tiririca: R$ 36.000,00 por mês. Membro da “Comissão de Educação e Cultura do Congresso”…

TRADUZINDO: SÓ O SALÁRIO DO PALHAÇO, PAGA 30 PROFESSORES. PARA AQUELES QUE ACHAM QUE EDUCAÇÃO NÃO É IMPORTANTE: CONTRATE O TIRIRICA PARA DAR AULAS PARA SEU FILHO.

Um funcionário da empresa Sadia (nada contra) ganha hoje o mesmo salário de um “ACT” ou um professor iniciante, levando em consideração que, para trabalhar na empresa você precisa ter só o fundamental, ou seja, de que adianta estudar, fazer pós e mestrado? Piso Nacional dos professores: R$ 1.187,00… Moral da história: Os professores ganham pouco, porque “só servem para nos ensinar coisas inúteis” como: ler, escrever, pensar,formar cidadãos produtivos, etc., etc., etc….

SUGESTÃO: Mudar a grade curricular das escolas, que passariam a ter as seguintes matérias:

? Educação Física: Futebol;

? Música: Sertaneja, Pagode, Axé;

? História: Grandes Personagens da Corrupção Brasileira; Biografia dos Heróis do Big Brother; Evolução do Pensamento das “Celebridades”

? História da Arte: De Carla Perez a Faustão;

? Matemática: Multiplicação fraudulenta do dinheiro de campanha;

? Cálculo: Percentual de Comissões e Propinas;

? Português e Literatura: ?… Para quê ?…

? Biologia, Física e Química: Excluídas por excesso de complexidade.

Está bom assim? … eu quero mais!…

ESSE É O NOSSO BRASIL …

Vejam o absurdo dos salários no Rio de Janeiro (o que não é diferente do resto do Brasil):

? BOPE - R$ 2.260,00………………….. para …….. Arriscar a vida;

? Bombeiro - R$ 960,00…………………para …….. Salvar vidas;

? Professor - R$ 728,00…………………para …….. Preparar para a vida;

? Médico - R$ 1.260,00………………….para …….. Manter a vida;

E o Deputado Federal?…..R$ 26.700,00 (fora as mordomias, gratificações, viagens internacionais, etc., etc., etc., para FERRAR com a vida de todo mundo, encher o bolso de dinheiro e ainda gratificar os seus “bajuladores” apaniguados naquela manobrinha conhecida do “por fora vazenildo”!).

IMPORTANTE:

Faça parte dessa “corrente patriótica” um instrumento de conscientização e de sensibilização dos nossos representantes eleitos para as Câmaras Municipais, Assembleias Estaduais e Congresso Nacional e, principalmente, para despertar desse “sono egoísta” as autoridades que governam este nosso maravilhoso país, pois eles estão inertes, confortavelmente sentados em suas “fofas” poltronas, de seus luxuosos gabinetes climatizados, nem aí para esse povo brasileiro. Acorda Brasília, acorda Brasil !…

P.S.: Divulgue logo esta carta para todos os seus contatos. Infelizmente é o mínimo que, no momento, podemos fazer, mas já é o bastante para o Brasil conhecer essa “pouca vergonha”. As próximas eleições estão chegando.

(*) - Físico e professor em Porto Alegre


Fonte: Site do Professor Fernando Massote – Clique neste link para conferir:

segunda-feira, 2 de julho de 2012

QUEM PÁRA A BARBARIA ? Por HUMBERTO PINHO DA SILVA




                                                                



Julgo que foi Alexander Humboldt que disse: o grau de civilização de um povo mede-se pelo modo como tratam os animais.

Anos há, estando em Cuiabá, a conversar com responsável da Funai, este revelou-me que os índios, das tribos que conhecia, eram incapazes de matar animal por eles criado. O laço de afectividade que os une ao bicho, não lhes permitia, mesmo para alimentação.

Ocorre isso no sertão, e pena é que o mesmo não aconteça na supercivilizada Europa, mormente neste cantinho, que se orgulha, com razão, ser: jardim plantado à beira mar.

Ao entardecer de calmo dia de Maio, do corrente ano, depositava o lixo, senhora de Santo Tirso, quando escutou dolorosos gemidos, que saíam do contentor. Atónita, enxergou no fundo, coberto de sacos, um cachorrinho.

Avisada a Associação dos Animais, de imediato foram tomadas as medidas necessárias.

Lançaram-no para o contentor, talvez, por ser velho e cego de uma vista.

Semanas antes, em Santa Couto Cristina do Couto, um cão foi enforcado e arremessado ao contentor.

Dois casos repugnantes, passados em Santo Tirso, uma das mais belas Vilas de Portugal; mas quantas ocorrências semelhantes não houve noutras localidades, que não chegaram à mass-media?

Casos parecidos, também acontecem com seres humanos. Estou a lembrar-me de crianças maltratadas, pais abandonados pelos filhos, fetos esquartejados, a pedido da mãe, e todo a hedionda barbaria que campeia em Portugal.

A insegurança é gritante.

Outrora, na província, as casas estavam destrancadas. Entrava-se e só depois pedia-se licença; hoje gradeiam-se as janelas e aferrolham-se portas

Nas cidades há medo de sair à noite. No Porto, depois das vinte horas, as ruas despovoam-se e as vitrinas cerradas, a cortinas de ferro.

Que sociedade vamos legar aos nossos filhos e netos?

Políticos que se governam em lugar de governarem. Empresários que realizam negócios ilícitos. Professores espancados pelos alunos. Alunos que espancam outros alunos. Violações, estupros e assassinatos diários, sem haver quem ponha cobro ao desvario.

As crianças vivem em terror constante. Antigamente brincavam na calçada e divertiam-se nos parques; agora nem na escola encontram sossego.

A culpa é de quem? Em primeiro lugar dos promotores da Nova Moral, os que planearam destruir valores assentes no cristianismo. Depois, os que a difundem na mass-media, colaborando no aniquilamento da família, na depravação do jovem, e perversão da mulher.



HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal


Matéria enviada pelo autor por e.mail, para ser publicada – Confira-a no Blog PAZ, clicando aqui.
 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A história e a capacidade humana - Por (*) João Bosco Leal


29 de junho de 2012 

Só depois de muitas experiências vividas vamos percebendo o quanto continuamos sabendo pouco sobre diversos aspectos da vida e o quanto ainda temos a aprender, pois envelhecemos e mesmo assim percebemos que aprendemos pouco, que ainda temos muito que aprender.

A história sempre ensina algo aos que se dispõe a aprender e – apesar de passados séculos ou milênios -, constantemente nos surpreende com novidades. Com ela podemos entender como, porque, e a que custo até aqui chegamos.

Aprendemos sobre a luta de nossos antepassados em busca de novas fronteiras, descobertas, conhecimento, suas dificuldades, erros e acertos. Esse passado é que nos abre a possibilidade de, com cada vez mais facilidades, continuarmos buscando.

Obras gigantescas, como as Pirâmides do Egito até hoje encantam por sua engenharia e pela curiosidade de como foi realizada a locomoção dos enormes e pesadíssimos blocos de pedra utilizados em sua construção.

A liderança de homens como Moisés, sem nenhuma das facilidades que hoje possuímos, foi capaz de conduzir um povo por áreas totalmente desconhecidas, mas a de Adolf Hitler provocou a morte de milhões de pessoas.

Henry Ford inventou os princípios da produção em larga escala, até hoje seguidos pelas maiores indústrias e economias do mundo, como a chinesa.

Poucas décadas atrás só existiam viagens submarinas ou espaciais nas mentes criativas de alguns, que partilhavam suas ideias em gibis ou filmes e assim se transformaram em projetos de gênios que os leram ou assistiram e finalmente tornaram reais os sonhos e imaginações do passado.

Albert Sabin criou uma vacina que já salvou milhares de vidas e, mais recentemente, Bill Gates e Steve Jobs mudaram a vida de bilhões de pessoas com seus softwares e hardwares.

Milhares de exemplos poderiam ser dados, mas o que importa é que só conhecendo o passado poderemos seguir adiante com menos dificuldades, partindo de uma experiência já vivida, em busca de uma solução ou, de pelo menos não cometer o mesmo erro.

Quanto mais aprendemos, mais percebemos a infinidade de coisas que ainda poderão ser criadas, as nossas próprias criações abrem caminhos para novas e assim sucessivamente. Os novos conhecimentos nos mostram como evoluir mais, onde erramos e o que devemos corrigir.

Problemas como a poluição atmosférica e do meio ambiente provocam a busca de novas alternativas de desenvolvimento e correção dos erros já cometidos.

Com o auxílio da informática a velocidade da criação passou a ser exponencial e percebemos desconhecer, além do nosso próprio limite, também o dessa tecnologia, que a cada dia apresenta maior capacidade de processamento e armazenamento, com maior rapidez, menor custo e em menor espaço.

Precisamos ter a capacidade de usar todos esses benefícios em busca de cada vez mais saúde, conforto e bem estar comum para, como nossos antepassados, facilitar a vida dos que ainda virão.

A história nos mostra não só o passado, mas como, com cada vez mais facilidade, podemos assegurar um futuro melhor.

(*) João Bosco Leal - jornalista, reg. MTE nº 1019/MS, escritor, articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários.

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