sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A necessidade da mão dupla

20 de janeiro de 2012

Por João Bosco Leal

Jornalista, reg. MTE nº 1019/MS

Na maturidade, após descobrirmos o que é verdadeiro amor, descobrimos também a necessidade de sermos amados.


Tenho observado pessoas maduras, que já descobriram o amor, encontraram a pessoa que amam, mas ainda assim não são totalmente felizes.


Isso me levou a pensar nos motivos pelos quais isso ocorre e na dificuldade da existência de um amor completo para uma pessoa.


Na juventude raramente se ama. Temos atrações e paixões, mas o amor profundo, mesmo quando iniciado com uma paixão, só virá com a maturidade, quando as pessoas passam a entendê-lo de outra maneira.


Esse amor envolve cuidados, atenções, carinhos e preocupações constantes com a felicidade e o bem estar de seu parceiro. Só amamos verdadeiramente uma pessoa quando a queremos ver feliz, mesmo que não seja conosco.


Entretanto, para que esse amor seja completo, tornando feliz também aquele que ama, esse sentimento necessita ser retribuído na mesma proporção que se dá.


Os cuidados para com nosso parceiro necessitam de uma resposta e, portanto, é necessário que ele entenda que, se quer ser cuidado, também precisa cuidar.


O casal só será completamente feliz quando o amor ocorre em mão dupla. Se a dedicação, o cuidado, o carinho e as preocupações só ocorrem de um lado, ele certamente se cansará de só fornecer, sem nada receber.


Os detalhes na convivência diária de um casal poderão transformar a paixão em amor, mas se isso lhe ocorrer e seus cuidados não forem retribuídos na mesma proporção que fornece, provavelmente estará amando quem só sente admiração, paixão, tesão ou qualquer outra coisa, mas não amor por você.


Vejo pessoas que praticamente se anulam, deixam de fazer o que gostam, fazem o que não desejam, ou o que gostam pouco, na tentativa de agradar seu companheiro, mas acabam percebendo que, em situações semelhantes, o mesmo não ocorre no sentido inverso.


É fundamental que quando estamos amando não nos anulemos, pensando exclusivamente no parceiro, sem cuidar de nossa própria felicidade, pois acabaremos sem brilho próprio para sermos amados por nosso par ou por outra pessoa.


A atenção com o outro deve ser equilibrada com aquela dispensada em nossa própria felicidade, pois nem uma grande dedicação ou carinho será suficiente para que nos amem se esse amor não existir.


Só com a maturidade se consegue perceber a profundidade e amplitude do sentimento por nós já confundido com outros que já experimentamos, mas agora conseguimos entender que não era o verdadeiro amor, que só alguns terão a chance de realmente viver.


No verdadeiro amor, as rugas serão admiradas como marcas de experiências vividas e não como traços físicos da idade. As cicatrizes nos lembrarão de histórias vividas, jamais como esteticamente prejudiciais. A barriga, a celulite, a falta ou a cor dos cabelos já não serão tão importantes, como já foram na época em que o amor ainda era uma paixão.


Quando se ama, as pequenas indelicadezas, se ocorrerem, serão desconsideradas, superadas pelas diversas atitudes inesperadas de carinho e afeto demonstradas no dia dia.


No amor, a lembrança do ente querido é uma constante, mas não como nas paixões, quando ocorria aquele desejo louco de estar junto, tocar, apertar, beijar ou até morder. Agora ela é mais tranquila e normalmente é observada em pequenas atitudes, como na aquisição de determinada fruta encontrada no supermercado, que não lhe é muito apetitosa, mas seu parceiro gosta muito.


A maturidade mostra não só o verdadeiro amor, mas a necessidade de reciprocidade nos cuidados, para que seja duradouro.


MATÉRIA ENVIADA PELO AUTOR, PARA PUBLICAÇÃO, SOB SUA RESPONSABILIDADE – VEJA-A NO SEU SITE, CLICANDO AQUI.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O espantoso silêncio sobre Nem

13 de janeiro de 2012

Por João Bosco Leal

Jornalista, reg. MTE nº 1019/MS

Dois meses atrás a imprensa brasileira divulgou, com muitas manchetes, a prisão do traficante Antonio Bonfim Lopes, conhecido como Nem, ocorrida em 10 de Novembro de 2011.


Quando tentava fugir do cerco policial à Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, onde era o chefe do tráfico de drogas, o carro onde o traficante era transportado foi interceptado e os dois homens que estavam no veículo se negaram a abrir o porta-malas do mesmo, onde estava Nem.


De acordo com as declarações dos policiais, os dois se apresentaram como um funcionário da embaixada do Congo e um advogado e que, diante na negativa em abrir o parta-malas, teriam decidido escoltá-los até uma delegacia.


Durante o trajeto, porém, os ocupantes do carro pararam na região da Lagoa e propuseram pagar entre R$ 20 e 30 mil reais para que os policiais os deixassem ir embora. Com a recusa, a proposta chegou a R$ 1 milhão de reais.


A Polícia Federal foi chamada, o porta-malas aberto, o traficante detido e com o apoio da Coordenadoria dos Recursos Especiais (Core) na ação, levado em comboio para a sede da Polícia Federal na Zona Portuária do Rio, com toda a imprensa acompanhando.


Tamanho aparato policial, a enorme divulgação e a posterior entrevista coletiva dada pelo secretário estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, determinava a importância da prisão.


Declarações de que a espinha dorsal do tráfico havia sido quebrada, que o maior traficante do Rio estava preso e a importância de sua prisão para se chegar outras centenas de nomes envolvidas com o tráfico foram dadas para todos os veículos de comunicação.


Após sua prisão e também de sua mulher, Danúbia de Souza Rangel, ocorrida quinze dias depois, soube-se que o traficante movimentava R$ 100 milhões por mês e que metade desse movimento era destinado à corrupção policial.

Mesmo para o chefe do tráfico, é muito dinheiro para crermos que não existem pessoas muito mais poderosas por detrás dele, um homem com baixíssima instrução e que mesmo movimentando todo esse dinheiro, continuava vivendo na favela e usufruindo muito pouco desse volume de dinheiro, o que não condiz com o comportamento humano natural de melhorar seu padrão de vida a cada elevação nos ganhos.


Pessoas muito mais poderosas e influentes é que são os verdadeiros chefões, que dominam o mercado da droga no Rio de Janeiro e outros em outras partes do país, mas que não aparecem. Colocam os “Nem” como sendo os chefes para que estes façam o serviço sujo por eles enquanto isso lhes interessar. Quando contrariados, esses chefões simplesmente “eliminam” o chefe, substituindo-o por outro que siga suas regras.


Em uma roda de amigos no fim do ano, um médico, analisando o poder e a influência das pessoas envolvidas tanto no tráfico como no consumo, lembrou de como um assunto dessa magnitude já estava totalmente abafado menos de dois meses depois, sem mais nenhum tipo de comentário por qualquer veículo de comunicação da imprensa brasileira.


Nem as declarações dadas pelo Secretário de Segurança Pública, de que agora saberiam mais sobre o tráfico, tiveram continuidade na imprensa. O que Nem disse? O que foi descoberto? Porque o silêncio? A podridão é tão grande que a população brasileira não pode saber? Onde está a democracia e a liberdade de imprensa? Ou ela também foi corrompida?


O silêncio sobre o assunto “traficante Nem” é uma prova inconteste, de que a podridão em nosso país atingiu níveis inconfessáveis.


MATÉRIA ENVIADA PELO AUTOR, PARA PUBLICAÇÃO, SOB SUA RESPONSABILIDADE – VEJA-A NO SEU SITE, CLICANDO AQUI.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A música clássica ensurdece a democracia caótica

terça-feira, 3/1/2012


Wellington Machado





Crença de criança dificilmente é removida com argumentos adultos. Quando a mais inocente das mentes infantis em formação - a "tábula rasa" de John Locke - é preenchida por uma ideia ou teoria contrária aos ensinamentos dos adultos, dificilmente se consegue reverter a situação. Dia desses fui surpreendido por meu sobrinho com a seguinte frase: "Tio, sabia que música clássica pode provocar surdez?" A informação me remeteu automaticamente a Beethoven, e tentei dar o troco: "Não, você deve estar fazendo confusão; o compositor Beethoven é que ficou surdo". Mal acabara de falar e ele me tascou o seu livro de escola na cara, com uma pequena nota de canto de página (uma espécie de "janela de curiosidades"), avalizando sua afirmativa. Era um livro de ciências e, possivelmente, a matéria versava sobre os agudos provocados pelo violino ou outros instrumentos da orquestra. Admirador de música clássica que sou (e meu sobrinho sabe disso), não tive como contra-argumentar. Foi sua vingança, já que ele não curte muito o estilo.


Não vou citar aqui o nome do livro adotado na escola de meu sobrinho - na verdade trata-se de uma apostila, um dos volumes de uma espécie de "pacote educacional" padronizado, contendo todas as matérias; muito comum nas escolas atualmente. O material é de ótima qualidade e eu seria leviano se o condenasse por uma notinha de curiosidades. Prefiro encarar a informação como um deslize, que poderia ser evitado, já que inúmeros exemplos poderiam ser citados ali. Mas, por mínima que seja, a nota correu o país nas escolas que adotaram o livro.


O Brasil não é um país paradoxal; mas é um país exótico. O improvável parece conspirar a nosso favor, transformando em sucesso as mais remotas ou estapafúrdias possibilidades. Em recente perfil da nossa presidente na revista New Yorker, o país foi considerado uma "democracia caótica", com problemas estruturais graves, apesar do crescimento econômico dos últimos anos. Crescemos economicamente, mas somos um arraso social. Somos um carro novo rodando a todo vapor com combustível de quinta categoria. Mesmo com toda a crise na Europa, que reflete na economia mundial, o Brasil ainda cresce, ainda que timidamente.


Há muito que a economia predomina, em nível mundial, sobre a política e a cultura. Não há mais uma completa soberania do estado; todos os líderes têm de basear suas decisões nos humores dos mercados, sofrendo pressões de grandes conglomerados financeiros que atuam além das fronteiras. Haja vista as mudanças no comando dos países europeus, alçando ao poder tecnocratas "mais competentes" em lidar com as finanças.


Ouvir que o Brasil é um país emergente nos encanta. Estamos perto de concretizar a velha profecia de que éramos (quase somos, agora) o país do futuro. Darcy Ribeiro, em sua obra um tanto ufanista, O povo brasileiro, já adiantava, no início dos anos 90, que a vez do Brasil chegaria, muito em função da sua mistura de raças. Para o antropólogo, o povo brasileiro é um povo ímpar, sem igual em todo mundo; um povo criativo por obra do mestiçamento.


Esse predomínio do econômico, em particular no Brasil, impulsiona o país independentemente do seu desenvolvimento cultural. Temos na ciência, na literatura, nas universidades e hospitais, personalidades mundialmente famosas. Mas são exemplos muito pontuais. A maioria dessas "cabeças" é proveniente de famílias com uma certa estrutura material, ou seja, tiveram suporte para chegarem aonde chegaram. Temos boas universidades, mas a melhor delas (a USP) não está nem entre as cem mundiais.


A tal "democracia caótica" leva a nossa organização social (habitação, ruas, transporte particular e coletivo etc.) e o nosso sistema educacional a seguirem o mesmo caminho do caos. Amargamos o 84º lugar no IDH mundial. Os dois governos pós-ditadura, ocupados por um intelectual e um ex-operário, fracassaram na redução substancial da desigualdade social - os avanços foram modestos pelo que se esperava. Não conseguimos superar o velho "Princípio de Pareto", a tal "relação 80-20", onde uma pequena parcela da sociedade detém um naco enorme do bolo coletivo.


Enquanto o Brasil cresce economicamente - e carece cada vez mais de capital intelectual -, ocupamos a vergonhosa 88ª posição no ranking mundial de educação da ONU. Certamente teremos de importar mão de obra qualificada nos próximos anos. Os jovens alunos asiáticos, de países também emergentes, estudam em horário integral. Nós não temos essa tradição e disciplina.


Economia e números à parte, concentremo-nos em um outro tipo de caos: a cultura. Causou-me espanto o abrangente e criterioso artigo do Affonso Romano de Sant'anna, na edição virtual do jornal Rascunho. O poeta traçou um excelente panorama da crise editorial brasileira. Ele chega à conclusão de que não temos livros demais, mas leitores de menos. As editoras não têm mais onde colocar as sobras de suas edições, que ficam encalhadas e armazenadas em galpões alugados. O número de leitores brasileiros é vergonhoso - e os que se interessam pelas letras leem poucos livros por ano. Que a chegada dos kindles e tablets da vida nos salvem!


A crise editorial brasileira a que o Affonso se refere me fez pensar sobre a real importância dos livros, em especial os romances. Lembrei então das palavras de Mário Vargas Llosa, em ensaio publicado na Revista Piauí, em defesa do romance diante da supremacia tecnicista: "Vivemos numa época de especialização do conhecimento, causada pelo prodigioso desenvolvimento da ciência e da técnica, e da sua fragmentação em inumeráveis afluentes e compartimentos estanques. A especialização permite aprofundar a exploração e a experimentação, e é o motor do progresso; mas determina também, como consequência negativa, a eliminação daqueles denominadores comuns da cultura graças aos quais os homens e as mulheres podem coexistir, comunicar-se e se sentir de algum modo solidários."


Paralelamente à questão literária, volto à "vingança" do meu sobrinho, acerca da música clássica - que parece não ter muito prestígio entre o povo criativo de Darcy Ribeiro. Os quinhentos e poucos anos de idade do Brasil (um país muito novo, portanto) podem justificar a nossa pouca tradição no gênero e no hábito de ler. Talvez seja tarde para atingirmos os "denominadores comuns da cultura" que nos solidariza, já que somos parte desse "motor do progresso" citado por Vargas Llosa.


Não sei por quê, mas sempre que penso em música erudita no (e para o) Brasil, lembro do programa nacional de incentivo à música clássica da Venezuela (logo o país do pseudo-democrata Hugo Chaves!), voltado para o desenvolvimento musical de crianças carentes. O programa é copiado por vários países e revelou ao mundo um dos seus maiores maestros: Gustavo Dudamel, de 30 anos (hoje, diretor da Filarmônica de Los Angeles). E é duro também lembrar que a Venezuela é também um país "novo", como o Brasil.


Existem, é fato, várias ações esparsas em vários pontos do Brasil. Em Ouro Branco (MG), a Casa de Música faz um belo trabalho de formação de músicos. A escola conta atualmente com mais de 200 alunos que, além de se apresentarem regularmente na cidade, participam de festivais de música erudita em várias cidades. Outra boa iniciativa é a escola Mata Virgem, em Xerém (RJ), fundada e mantida por Zeca Pagodinho. Vez ou outra tomamos conhecimento de projetos desse tipo, o que é um alento. Mas falta um projeto nacional, bancado pelo Governo Federal. Contribui muito para o nosso "caos democrático" um orçamento que destina ao Ministério da Cultura uma fatia que não chega a 1% do arrecadado pela União.


Literatura, música de qualidade, museus, cinema, teatro etc. são ingredientes para o apuramento de algo essencial para o bem estar coletivo: a civilidade. Não adianta termos dinheiro sobrando no bolso, carros reluzentes nas ruas, e estacionarmos na vaga de portadores de necessidades especiais, quando não os somos - se é que me faço entender. Necessitamos de um sonhador como Fitzcarraldo (Werner Herzog, 1982), que cultive uma obsessão em nome da arte. Será que correremos o risco de, com poder aquisitivo, consumirmos tecnologia de ponta mundial e não termos conteúdo pra colocar ali dentro?


Wellington Machado

Belo Horizonte, 3/1/2012



Fonte: Digestivo Cultural – Clique aqui para conferir este artigo

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O Ocidente está prestes a declarar guerra à China!!!!!





Por Giuseppe Tropi Somma, empresário e presidente da Abramaco.

*Reprodução liberada*
GIUSEPPE@CAVEMAC.COM.BR




A economia ocidental realmente está em profunda crise e todos querem culpar a China. Mas a China não tem culpa nenhuma. Ela apenas retirou o pano sob o qual se escondiam os resultados negativos que as falsas políticas sociais produziam no Ocidente. É necessário ter política social, mas isso é tarefa do governo e não se pode impor tal tarefa ao cidadão que cria empregos. Quando se cria vantagem para uma pessoa e desvantagem para outra, é óbvio que se cria um desequilíbrio operacional, e um dia a conta chegará ao próprio beneficiário. As políticas sociais, no âmbito trabalhista, são 100% originárias da demagogia política, porque são direitos artificiais oferecidos às custas de quem, ao criar emprego, já está praticando o maior ato social, ele é um assalto institucional que obriga a vítima (o empregador), do qual o assaltante (o governo) espera um repasse da parcela em forma de "voto". E chamam isso de política social. Puro engano!

A verdadeira política social é quando toda a sociedade, representada por seu governo, se mobiliza para ajudar quem necessita, mostrando como deveria realmente ser eficiente com a saúde, a segurança, a educação, para seus cidadãos contribuintes. Mas ele não o faz, para priorizar com mais recursos os salários milionários do corporativismo do Estado; para alimentar a corrupção e acobertar a incompetência administrativa, expressa na má qualidade dos eleitos pela maioria inculta ou inconsciente de eleitores.

Nós só temos que agradecer, e muito, à China.

Quando um político fala que mais de 40 milhões de brasileiros chegaram à classe média nos últimos anos não é porque o poder de compra deles aumentou, mas é porque o produto do sonho de consumo deles tornou-se muito barato e acessível, graças à China. Não fosse pela China, nós estaríamos pagando mais de R$ 500 por uma camisa e não R$ 25. Uma chapa de agulhas para máquina de costura reta, que há 30 anos se importava do Japão por US$ 6, e se vendia por R$ 30, hoje se importa por US$ 0,20 e se vende por R$ 1. Tudo isso porque a China tem uma carga tributária entre 10% e 12% do PIB, e não 40% como a nossa. Porque o chinês ama o seu trabalho e sua produção de um dia vale por cinco dias de produção de um trabalhador ocidental. Produz bem e barato porque vende apenas seu trabalho e não leva para a empresa empregadora obrigações produzidas pelos direitos artificiais. Na China recolhem-se apenas tributos para a previdência social.

Prestem atenção para uma realidade:

Quando uma pessoa vai trabalhar para uma empresa, só fica preocupada com os direitos, como vale-transporte e alimentação, direitos de maternidade, paternidade, férias, 13º, PLR, etc., e reclamando de trabalho escravo, movimentos repetitivos, acúmulo de funções, pressão psicológica, carga horária rigorosa, riscos... Mas quando essa mesma pessoa decide montar o seu próprio "ganha-pão" ela passa a trabalhar 15, 16 horas por dia, visando a uma grande produção e boa qualidade. Quem é que está lhe tirando os direitos? Simplesmente não existem direitos. Existe sim, a grande perspectiva de ser bem-sucedido, porque o sucesso só se alcança com muito trabalho. E lá na China essa filosofia não é de uma pessoa, mas de toda a nação. É no trabalho que os chineses estão encontrando a solução de todos os seus problemas.

Então o nosso inimigo não está na China, mas dentro de casa. Em tudo o que torna o nosso produto mais caro.

Pior que, em pleno século 21 ainda há "caras de pau" insistindo em novas leis, querendo reduzir a semana de trabalho de 44 para 40 horas semanais, e que, com o Projeto de Lei 3941/89, já conseguiram aumentar o tempo de aviso prévio em até 300%, para onerar ainda mais o trabalho. Demagogia não falta para encarecer ainda mais o custo do Brasil.



Fonte: AD CONSULTORES – Consultoria e Teinamento Organizacional – Clique aqui para conferir

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

TEMPO






Tempo, Primo-irmão do espaço.
E eu passo o tempo imaginando esses dois.
Primeiro, o tempo. Segundo, o espaço.
Dos filhos do primeiro, um nasce a cada instante,
exaltando a maternidade.
Seu nome é futuro.
Não obstante a eternidade,
O outro, diminuto, consciente,
morre de minuto em minuto.
Seu nome é presente.
O mais velho, valente e cansado,
vive vivo em memórias.
Seu nome é passado.


(Primeira estrofe dos versos de autoria do poeta e publicitário Edson Paulucci, extraída do seu livro de poesias “Doce Febre”, produção gráfica da Novotempo Publicidade. Impressão e acabamento da Gibim Gráfica Editora, Campo Grande, MS, 1995)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

As paixões e o amor

19 de dezembro de 2011

Por João Bosco Leal

Sem me recordar exatamente onde, li uma frase onde John Lennon dizia que ninguém será capaz de se apaixonar ou de ser feliz, antes de se tornar apaixonado por si mesmo.


Além de compor músicas com mensagens maravilhosas como “Imagine”, na frase John Lennon resume o que normalmente levamos décadas para perceber: só quando gostarmos de nós mesmos é que seremos capazes de verdadeiramente nos apaixonar por outra pessoa.


Interessante é que o autor se refere à paixão, mas não ao amor, o que é muito diferente e quando disse isso talvez pretendesse falar exclusivamente de paixões ou – como nos deixou muito jovem -, nem ele próprio já possuísse maturidade suficiente para amar verdadeiramente.


Atualmente os jovens ficam, namoram, noivam e se casam exatamente como seus pais fizeram, com a diferença de que em seu tempo, eles não “ficavam” e tinham muito menos liberdades sexuais.


Tudo isso normalmente ocorre durante uma fase em que as pessoas ainda não conhecem a si próprias, mas pensam já haver encontrado o amor de sua vida, aquela com quem gostariam de constituir uma família, ter filhos, netos e envelhecer junto.


Sentimentos de atração, desejo e excitação por outras pessoas ocorrerem centenas de vezes durante a vida e podem virar paixões, mas não são suficientes para se transformar em amor.


Estamos apaixonados quando nos tornamos incapazes de tirar aquela pessoa de nossas mentes e a todo instante queremos estar ou falar com ela, tocar sua pele, pegar em suas mãos e sentir seus lábios nos nossos.


No meio de um estudo na biblioteca ou durante algo que nos prenda a atenção, mesmo sem naquele momento querer ou poder, perdemos completamente a concentração para nos lembrarmos dela, com quem sonhamos e sentimos prazeres, ainda que estejamos muito distantes.


Independentemente da idade, as paixões mexem conosco, nos deixam alegres, esperançosos e cheios de desejos, físicos e mentais, fazendo com que voltemos a sentir as mesmas tensões e ansiedades amorosas da juventude.


Penso que já estamos preparados para um verdadeiro amor quando, com o amadurecimento e as paixões já vividas, vamos conseguindo distinguir sutis diferenças entre estas.


Detalhes antes imaginados muito importantes, como o físico, vão gradativamente perdendo a importância na avaliação de seus sentimentos enquanto outros, como os princípios éticos, morais, circulo de amizades, nível educacional e cultural vão sendo mais valorizados.


O companheirismo, a amizade e objetivos passam a ser considerados muito mais valiosos do que os quilos da balança ou a quantidade de rugas e cicatrizes.


Esse é o momento em que a próxima paixão, adicionada desses ingredientes, se transforma em algo bem mais sublime e diferente das anteriores, o amor.


Esse é o verdadeiro amor, maduro, calmo, sem cobranças, buscado por todos, alcançado por poucos e livre a ponto de se sustentar com todas as portas e janelas abertas.


O amor maduro é o que só consegue enxergar belas histórias de vida nas rugas do companheiro e que provoca a vontade de roubar uma flor de um jardim, somente para ver o sorriso da amada ao recebê-la.


MATÉRIA ENVIADA PELO AUTOR, PARA PUBLICAÇÃO, SOB SUA RESPONSABILIDADE – VEJA-A NO SEU SITE, CLICANDO AQUI.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Rápidas lembranças

12 de dezembro de 2011

Po João Bosco Leal

Entrei no elevador vazio, apertei a tecla oito e comecei a pensar na vida. Repentinamente teve inicio um filme, com duração provável de segundos, mas parecendo durar décadas, pois foi o que mostrou. Desde a infância feliz, com a vida bastante regrada, cheia de horários, obrigações, mas muitas diversões, até os dias atuais, já com vários e queridos netos.


Na época do grupo, depois chamado de primário e atualmente educação fundamental, todos meus irmãos corriam para se arrumar e tomar o café antes de irmos caminhando para a escola, próxima da casa. Nos intervalos das aulas ou no caminho de volta após seu término, era comum pararmos para, com nossas raras moedas, comprarmos um sorvete de gelo, conhecido como raspadinha, que nada mais era do que uma barra de gelo raspada com uma plaina de carpinteiro e o resultado – um farelo de gelo -, colocado em um copinho e coberto por líquidos com os mais diversos sabores artificiais.


O material escolar era organizadamente guardado logo que chegávamos em casa e após um rápido banho almoçávamos. Depois de um curto período de descanso já vinha o horário de estudos, quando fazíamos as tarefas de casa determinadas pelos professores. Mais um curto período de descanso e já nos dirigíamos, a pé, para outras atividades escolares ou de esportes que, de acordo com a idade e o sexo da criança, variavam entre as aulas de inglês, balé, violão, piano, judô e natação.


Só após novas aulas e a prática de algum esporte é que tínhamos nosso período livre para brincadeiras com os amigos e amigas, mas aqueles que por qualquer motivo estavam indo mal na escola, eram proibidos de brincar e enquanto os outros brincavam, eles frequentavam as aulas particulares de reforço escolar. Ir para o clube só era permitido depois das lições de casa concluídas e se aquele não fosse dia de outras aulas ou de alguma atividade esportiva.


As brincadeiras eram de bolinhas de gude, pega-pega, esconde-esconde, pular amarelinha, e quando já um pouco maiores, vinham os carrinhos re rolimã. Logo vieram os tradicionais bailes de debutantes, quando as famílias apresentavam para a sociedade local suas filhas que estavam completando quinze anos de idade. Virávamos escoteiros, bandeirantes ou lobinhos, quando nos ensinavam a vida em sociedade e atitudes básicas de sobrevivência em situações adversas. Desfilávamos nas fanfarras dos colégios e alguns davam início aí ao aprendizado para tocar um instrumento musical.


Nos fins de semana corríamos para sermos os primeiros a entrar nos cinemas, para assim podermos guardar lugares para os amigos, amigas ou paqueras. Em casa ligávamos a vitrola e treinávamos a dança dois pra lá e dois pra cá, o twist e o rock’n roll, para depois dançarmos nas brincadeiras dançantes dos clubes. Os pontos de encontro dos jovens nos fins de semana eram em alguma lanchonete, panificadora ou sorveteria, que as meninas frequentavam com os vestidos mais curtinhos e meias arrastão. Quando alguém conseguia, dali acompanhava uma delas até a porta de sua casa onde ficava conversando na calçada, até no máximo às dez horas da noite, quando sua mãe a mandava entrar.


As músicas da época eram lindíssimas e ainda são as que mais fazem sucesso. Os primeiros veículos que dirigíamos eram logo levados a uma rua que possuía uma queda repentina de altitude e quando por lá se passava um pouco mais aceleradamente, o carro literalmente voava, caindo mais adiante com seus passageiros sentindo um enorme frio na barriga. Muito magro e alto, usava cabelos longos e calças justas com boca de sino, o máximo para a época.


Vieram as dificuldades de todos na escolha das profissões futuras, as faculdades – onde as aulas eram assistidas de paletó e gravata -, os melhores e os piores cursos e aproveitamentos, as formaturas e as buscas por empregos ou algum tipo de remuneração profissional. Alguns fizeram melhores escolhas e começam a ser recompensados por isso. Outros não escolheram tão bem ou não se esforçaram nos aprendizados e logo percebem que pagarão caro por isso.


Começaram a ser traçados os futuros de sucesso e de fracasso, principalmente financeiros, mas independentemente das posições alcançadas ou não, hoje com poucos e já brancos cabelos, com muitas rugas e cicatrizes, estou mais livre, leve, solto para perceber que o dinheiro não pode ser nossa única busca e não é o responsável pela felicidade de muitas pessoas, mas só a maturidade me mostrou isso.


O elevador parou, a porta se abriu, o sonho acabou e a realidade voltou.


MATÉRIA ENVIADA PELO AUTOR, PARA PUBLICAÇÃO, SOB SUA RESPONSABILIDADE – VEJA-A NO SEU SITE, CLICANDO AQUI.