sábado, 15 de outubro de 2011

Os gênios e os comerciantes

14 de outubro de 2011

Por João Bosco Leal

A indústria mundial de computadores, antes só utilizados por governos, grandes empresas e universidades, era quase que totalmente dominada pela IBM, quando o gênio Steve Jobs iniciou a fabricação dos Personnal Computers, os PCs, que popularizados, passaram a ser usados nas mais diversas finalidades, mudando radicalmente a vida das pessoas ao redor do mundo e provocando mudanças que serão sentidas por décadas.


Surgiram então os fabricantes de softwares, que criavam os programas para facilitar a operação daqueles equipamentos, agora cada vez menores, sem a necessidade de ser um profissional da área, que faziam longos cursos para dominar o DOS, sistema operacional que se utilizava, cheio de fórmulas e regras.


As duas maiores e mundialmente mais conhecidas dessas empresas são a Apple, do próprio Jobs, criadora do sistema operacional Mac e a Microsoft, de outro gênio, Bill Gates, com o seu Windows. A grande diferença entre essas duas é que, enquanto a primeira só permitia o uso de seus softwares em equipamentos de sua fabricação, a outra disponibilizou a licença de uso de seu invento para qualquer um que pagasse por ela.


Como resultado dessas políticas comerciais, uma ficou restrita a determinadas especialidades e a outra dominou o mercado de tal modo que o sistema operacional praticamente nem é discutido pelo usuário na aquisição de um novo equipamento. Pesquisas atuais apontam que, o Mac detém 10% do mercado mundial de sistemas operacionais, contra 87% dos que utilizam o Windows. Na fabricação de computadores a Apple mantém os 10%, enquanto a HP e a Dell dominam 48% do mercado e o restante é pulverizado entre milhares de montadoras.


Todos discutem processadores, memória, HD, monitor e outros itens, mas quando se fala em sistema operacional discute-se apenas se é o modelo mais moderno, como o Seven, ou um anterior como o XP, mas sempre Windows, enquanto nos processadores, a discussão fica em utilizar os Pentium IV, os Dual Core, os Core 2 Duo, ou os da atual série i3, i5 e i7, mas todos fabricados pela Intel, líder incontestável desse mercado.


Na fabricação dos smartphones e dos tablets, com seus iPhones e iPads inventados por Jobs, a Apple está utilizando a mesma estratégia, pois apesar de dominar com larga vantagem esse mercado, está rapidamente sendo alcançada pela sul coreana Samsung, a segunda maior produtora mundial de processadores de informática que, nas comunicações, fabrica smartphones que utilizam o sistema operacional Android, da gigante Google.


Enquanto a Apple só fabrica aparelhos que utilizam seu próprio sistema operacional, o iOS - não cedido a outras empresas -, quase todas as outras fabricantes mundiais estão criando, fabricando e lançando novos produtos que utilizam o Android.


Por ser um programa muito mais completo, o Android ainda é mais difícil de ser manuseado pelo público que o sistema da Apple, mas mesmo assim, atualmente a empresa que lançou a maior invenção de Steve Jobs, domina somente 19% do mercado mundial de smartphones, enquanto os que utilizam o Android já dominam 58% deste.


Atualmente milhares de técnicos no mundo trabalham para facilitar sua utilização por todos e assim que isso se tornar possível, o programa aumentará ainda mais a já larga margem de vantagem nas vendas, deixando os aparelhos da Apple restritos a determinadas categorias, enquanto a Google dominará o mercado de sistemas operacionais de comunicação, como a Microsoft domina o de informática, por um fato bastante simples: pagando, todos estão autorizados a fabricar produtos com esses sistemas.


Os gênios das invenções normalmente não são bons comerciantes, pois compartilhando seus conhecimentos, permitiriam que milhares de pessoas, partindo de sua invenção, tivessem a oportunidade de aprender mais rapidamente, divulgando então suas idéias e produtos.


Matéria publicada a pedido do autor por e.mail – Veja-a no seu site, clicando aqui.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Refém dos ‘companheiros'

10 de outubro de 2011

PorJoão Bosco Leal

Os brasileiros estão assistindo – e sentindo -, as consequências do radicalismo de membros dos sindicatos e forças sindicais de trabalhadores dos grandes centros do país e sua íntima relação com os principais membros do alto escalão do Governo Federal, em sua grande maioria do mesmo partido político, o PT.


Com uma década de indicações para cargos-chaves da administração pública, a estrutura montada na máquina estatal resultou em um governo totalmente dominado pelos radicais do PT e suas diversas alas, marxistas, leninistas, maoístas, castristas e todas as outras ideologias já fracassadas em todos os países onde foram implantadas.


As consequências desse radicalismo ideológico já estão sendo assistidas – e sentidas-, pelos brasileiros em diversos setores da sociedade, como na ineficiência do governo federal na manutenção de toda a infraestrutura de transporte e geração de energia já existente no país, itens básicos indispensáveis para qualquer crescimento.


Digo manutenção dos sistemas já existentes, pois novas obras de rodovias, aeroportos e usinas hidrelétricas foram praticamente inexistentes nos dois governos Lula e mesmo quando nas raras tentativas de implantação de alguma, os ‘companheiros’ do Ministério do Meio Ambiente e suas secretarias não permitiram seu andamento.


A não liberação de licenças ambientais para a construção de novas usinas hidrelétricas e o impedimento de construção ou ampliação de novos aeroportos – simplesmente porque os ‘companheiros’ são contrários às concessões à iniciativa privada -, foram constantes.


A insegurança jurídica é outra fonte de preocupação para a realização de investimentos no país, seja por grupos brasileiros ou estrangeiros, em decorrência das repentinas alterações das regras do jogo, como no recente aumento da taxa de importação de veículos por fábricas estrangeiras que já haviam montado suas redes de revendedoras no país, ou nas várias mudanças das leis que dizem respeito à participação acionária de estrangeiros em empresas aqui instaladas.


A indicação de seus membros pelo Presidente da República e decisões do Supremo Tribunal Federal, como a que anulou o processo contra o filho do Sarney, faz com que a população se sinta totalmente desamparada, imaginando que o Poder Judiciário está submisso e à serviço do Executivo.


A legislação trabalhista brasileira aumenta cada vez mais os direitos dos trabalhadores, sem exigir nenhuma contrapartida, como na recente aprovação do aumento proporcional da indenização de aviso prévio na demissão, que pode atingir 90 dias.


As greves de serviços essenciais, como dos correios e bancos, prejudicam toda a população sem que nenhuma atitude concreta seja tomada pelo governo do PT contra as lideranças sindicais, que não se preocupam – por exemplo-, se idosos, que em sua grande maioria não consegue manusear sua conta através dos caixas eletrônicos, estão sem receber sua aposentadoria ou benefício.


São lideranças inescrupulosas, que permitem que funcionários dos correios deixem de entregar mais de 180 milhões de encomendas, simplesmente por não aceitarem o acordo salarial proposto pela empresa, inclusive não aceitando que sejam descontados ou que tenham de repor os dias parados. O governo esperou mais de 15 dias de greve para recorrer à mediação da Justiça do Trabalho, que levou mais uma semana para determinar que pelo menos 40% dos funcionários da empresa continuem trabalhando, mas a greve já completou 26 dias, com prejuízos incalculáveis à população, ao comércio e à indústria.


Como em todos os países onde foram implantados, os radicalismos ideológicos, como o do PT, só serviram aos membros da cúpula do partido e lideranças sindicais, que exploram a população em benefício próprio.


Publicado por: A Agonia de Prometeu ; A Crítica ; Blog da Maria Helena - O Globo ; Blog do Senis ; Chico Bruno ; Diplomatizando ; Dourados News ; Histoticizando ; Libertatum ; O Cão Que Fuma ; Ponto de Vista ; Portal Prudentino ;

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domingo, 9 de outubro de 2011

De outro planeta - Prof. Hélio Arakaki




Sou do tempo em que o fusquinha, sem ar condicionado ou volante hidráulico, agradava aos ricos e aos menos ricos. E que motel era hotel para viajantes.


Do tempo do chiclete Ping-Pong com os inconfundíveis e deliciosos sabores tutti - frutti e hortelã. E também do chiclete Adams, aqueles dos quadradinhos e coloridos que, impacientemente, levava à boca tudo de uma só vez.



Do tempo em que saboreávamos com o olhar a pamonha sendo embrulhada pelas nossas mães.



Do tempo em que ir ao baile e dançar coladinho com alguém era o máximo da ousadia. E que somente isso, e nada mais, era motivo de grande satisfação e contentamento. Do tempo em que os discos compacto de vinil com uma música romântica para dar de presente ao futuro amor.


Do tempo em que, o que banalizamos chamar de hiperatividade - leia-se falta de limites - era curada com umas boas chineladas.


Infelizmente, a sofisticação está nos privando de encontrar a magia nas coisas simples.


Para os jovens de hoje, vim de outro planeta.


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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O PODER ESTÁ ATRÁS DO TRONO - BRASIL DIGNIDADE

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data7 de outubro de 2011 12:55
assuntoO Poder está atrás do trono - Brasil Dignidade
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Brasil Dignidade


Discordo em essência daqueles que se dizem felizes pela pseudofaxina ética do Executivo, tal qual das afirmações de ser irrelevante a forma pela qual Ministros são indicados aos cargos. “Ao povo, não importa o apadrinhamento do novo titular do Ministério do Turismo, mas sim a sua capacidade e a sua honestidade na gerência do cargo que vai ocupar” (frase extraída de uma coluna de opiniões). – Isto é aposto à cidadania, tal que se fosse faxina não o seria seletiva, versaria a tudo aquilo que está sujo e que o antigo inquilino em sua iniquidade deixou. A quem tem consciência TUDO importa, pois é uma afronta coligar apadrinhamento à competência que somente se dá pela qualificação profissional, expressão técnica, acadêmica além de probidade do indivíduo escolhido. Isto é o mínimo desejável.


Descrição: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLlkXDtUXpEZ-9wAWtU8ebPe6RIlaKhzX1iVJUpKnhHyh4_2uS2YT288Q7Jzt7XudKqel440ZgixbNhPwgyPLY5pTsOdWEM2x9iDu9SX806PO2Z3FgUCBZdBNKiXBkpu-LDraxeggd8QUd/s200/Trono.GIFNão é nem mais aceitável a indicação política para Ministros das mais altas Cortes de Justiça, tais cargos deveriam ser ocupados por Juízes de carreira, com “J de Justiça maiúscula”, e para tanto já concursados e eleitos por seus pares. Hoje sequer temos Ministros que foram juízes e, portanto aprovados em concursos públicos; aliás, alguns foram reprovados mais de uma vez em suas vãs tentativas, e estão lá a dar pareceres ou a reter processos em benefício de quem os indicou. Isto não Justiça, é fruto da injustiça qualificada pelo apadrinhamento e pelo nepotismo. Vide caso do clã Sarney no STJ e que até garantiu censura ao jornal O Estado de S. Paulo; os expurgos nas cadernetas de poupanças nas mãos de Toffoli no STF; ali também estão os aposentados e o fator previdenciário. Portanto, o apadrinhamento é indefensável e se fosse capaz de algum resultado o estado do Maranhão não seria o mais miserável do país, teria deixado a muito de ser uma reles capitania hereditária. O apadrinhamento, tal qual o nepotismo, largamente difundido no Congresso, e em boa medida na cultura dos brasileiros, não faz parte do manual da competência e da meritocracia; mas sim do conchavo da politicalha, e isto sem exceção tal qual o episódio dessa indicação ao Ministério objeto do tema que sequer deveria existir.


Demostrou mais uma vez a nós, - “a parcela da nação consciente”, que temos uma pseudopresidente; pois quem mandou um dos seus assumir no feudo “Turismo”, foi o seu dono - José Sarney e com total e confesso beneplácito de Rousseff. Pior ainda é alguém acreditar que haja faxina, ou qualquer sentido de limpeza ética. Nada mudou apenas a técnica diversionista de mostrar ao público outra forma do populismo atuar. Desceram do palanque, afastaram-se do linguajar de botequim para adotar tom sóbrio e buscar o elo perdido na população mais culta que não foi adesista ao caudilho da gestão anterior e que lamentavelmente se encanta ao canto da sereia, “vislumbrando e vibrando pela faxina de peixes pequenos quando tubarões ainda mandam e desmandam no país, tal qual era antes”. Mais do que nunca, e com o fisiologismo dirigindo o país, e de forma escancarada, pode-se utilizar a histórica expressão: “O poder está atrás do trono”, e nada é aquilo que se vê.


Oswaldo Colombo Filho


O Estado de S.Paulo 20/09/2011


Diário da Manhã - Goiás 20/09/2011


http://movimentobrasildignidade.blogspot.com/2011/09/o-poder-esta-atras-do-trono.html

Brasil Dignidade

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Novo esforço de celebridades globais para legalizar drogas

17 February, 2011 05:51:00

Silvia Palacios

Um trio de ex-presidentes neoliberais da América Latina continua em campanha pela legalização do consumo de maconha, agora, amealhando o apoio de banqueiros, empresários e outros notáveis globais. Os efeitos nocivos e amplamente demonstrados da droga para a saúde humana parecem pouco importar-lhes, a julgar pela sequência de argumentos absurdos invocados em sua campanha para conquistar os palcos internacionais.

Segundo reportagens publicadas nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em 24 de janeiro, em Genebra, Suíça, teve lugar a primeira sessão de trabalho da Comissão Global sobre Drogas, encabeçada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Nos últimos anos, FHC se juntou aos ex-presidentes Ernesto Zedillo (México) e César Gaviria (Colômbia), para correr o mundo com o mesmo propósito. A nova comissão é integrada por: Javier Solana, ex-secretário geral da OTAN; a ex-presidente da Suíça, Ruth Dreifuss; George Shultz, ex-secretário do Tesouro dos EUA (governo Reagan); seu amigo banqueiro John Whitehead, estreitamente ligado à família Rockefeller e presidente da fundação que construiu o memorial do World Trade Center, em Nova York; o excêntrico empresário irlandês Richard Branson, fundador do Grupo Virgin, notório por sua empresa de aviação e investimentos na África (que, segundo ele, o transformaram em defensor do meio ambiente); e os que certamente serão os cronistas da causa, os escritores Carlos Fuentes e Mario Vargas Llosa, este recém laureado com o Prêmio Nobel de Literatura.

Todos são pesos pesados integrantes ou freqüentadores dos círculos de poder político e econômico anglo-americanos, recrutados para levantar uma bandeira que parecia perdida, devido à rejeição que sempre desperta entre o público e os meios institucionais ainda sensatos do mundo. Aparentemente, uma das causas que reinjetou ânimo na campanha foi o apoio recebido pela Emenda 19 da Califórnia, nas eleições estadunidenses de novembro de 2010, apesar da sua derrota por uma pequena margem de votos. A emenda propunha a legalização do consumo de drogas, tendo sido amplamente patrocinada pelo megaespeculador George Soros, um veterano na causa.

O principal argumento dos membros da Comissão Global é o de que a guerra contra os cartéis da droga estaria perdida. Apesar dos bilhões de dólares investidos pelos governos, sobretudo o estadunidense, a produção e o consumo de drogas continuam aumentando (embora não digam que uma das principais causas do fenômeno é a deterioração socioconômica acarretada pela "globalização" financeira, que tem devastado as economias reais em todo o mundo e deixado milhões de jovens adultos sem perspectivas de trabalho produtivo decente, muitos dos quais passam a recorrer às drogas como válvula de escape). Ademais, recorrem a pretextos como o aumento da população carcerária e a defesa dos "direitos humanos".

Porém, esses pseudopaladinos dos direitos humanos sem aspas nada mencionam sobre a dimensão das narcofinanças, que superam os 500 bilhões de dólares anuais e são devidamente "lavadas" em um sistema financeiro desregulado, graças aos benefícios da "globalização" financeira. As implicações da legalização do consumo abrem uma série de interrogantes quase surreais, pois seria um passo para legalizar os lucros do negócio. O que exigiriam os envolvidos? Entrariam em um acordo de cavalheiros com os barões das drogas, para que estes abram mão dos seus sangrentos negócios? E quem passaria a controlá-lo: o Estado ou grupos privados?

Se essa nova "guerra do ópio global" não está sendo vencida, é porque não se investe sobre os interesses financeiros que se beneficiam dela. Além disto, seria preciso reconhecer que a raiz do problema está fincada em um sistema econômico e financeiro falido, que tem obstaculizado o genuíno desenvolvimento socioeconômico de um grande número de países, inclusive os que têm sido devastados pela guerra das drogas, como o México e o Afeganistão. O primeiro, subordinado às regras da "globalização" financeira, tem uma população jovem desesperada e sem perspectiva de emprego, que se encontra constantemente assediada por todo tipo de tráfico, inclusive humano. O segundo, submerso em uma guerra geopolítica do poder anglo-americano, voltou a ser o maior produtor de ópio e heroína, responsável por quase 90% da produção mundial.

Para complicar, o consumo de drogas tem sido alimentado por uma cultura de gratificação imediata impregnada de hedonismo, difundida pelos meios de comunicação de massas, por sua vez, concentrados nas mãos de um punhado de magnatas ligados ao poder anglo-americano. Este ataque sistemático aos valores morais tem criado um vazio espiritual na população, especialmente entre os jovens - vazio que, certamente, não é preenchido pelos romances de Fuentes ou de Vargas Llosa.

Fonte: MSIA – Movimento de Solidariedade Ibero-Americana – Clique aqui para conferir esta matéria

sábado, 1 de outubro de 2011

Quem é a favor da corrupção?

domingo, 25 de setembro de 2011



Autor: Percival Puggina.



Alguns dias "de molho" com uma virose cívica que começou na Semana da Pátria e avançou pela Semana Farroupilha me deram tempo para pensar. Entre outros temas, para pensar nas tais passeatas contra a corrupção. Primeiro, imaginei a coisa pelo lado oposto: uma passeata a favor da corrupção. É claro que só apareceriam jornalistas na tentativa de capturar imagens e impressões de algo grotesco. Só a imprensa. Os corruptos estariam exercendo sua atividade alhures, longe dos flashes e dos olhares da mídia. Ou seja, leitor, ninguém é a favor da corrupção, exceto os corruptos, mas estes agem como moluscos, lenta e discretamente, dentro de suas conchas e tocas, imersos em águas turvas.


Façamos, então, uma grande marcha "contra a corrupção"! Como todos são contra, vai faltar espaço na avenida Paulista, na Cinelândia e, em Porto Alegre, haverá gente pendurada na chaminé do Gasômetro. Sucesso garantido. O quê? Não foi nem parecido com isso? Pouca gente em relação ao esperado? Faltou divulgação? Bobagem. Todo mundo estava sabendo. Não compareceram porque não quiseram.


Pois foi aí que me valeram estes dias de virose cívica. Pode ter sido efeito da febre ativando algum neurônio preguiçoso ou desativando algum outro defeituoso, mas tenho certeza de que matei a charada. As manifestações contra a corrupção contaram com público reduzido porque berrar contra a corrupção "sic et simpliciter" (até o latim me veio de volta com a febre) é mais ou menos como mobilizar-se em protesto contra o câncer ou contra a dengue hemorrágica. Todo mundo concorda, mas é completamente inútil.


Perdoem-me os promotores, muitos dos quais fraternos amigos. Eventos anteriores, assemelhados, alcançaram sucesso muito maior por dois motivos: contavam com apoio de segmentos da sociedade civil aparelhada pelo PT (aquela turma que, ao simples estalo de um dedo petista, embarca num ônibus e vai para onde mandam); e eram eventos com foco, estavam direcionados contra alguém com nome e sobrenome, partidos com letrinhas conhecidas, governos inteiros e responsáveis por escândalos que não caíam das manchetes. Era sempre "Fora alguém!".


Marcha contra corrupção sem foco? Corrupção de governo nenhum? Sem culpados com nome próprio? Sem siglas políticas a acusar? Sem lançar em rosto do Congresso as responsabilidades por termos uma densa legislação de proteção aos corruptos? Sem atribuir a quem quer que seja culpas pela lentidão dos processos? Sem combater os votos secretos nos parlamentos? Sem denunciar até o último fio de voz a danação ética de um sistema político canalha, ficha-suja, que protege, estimula e vive da corrupção?


CNBB e OAB, para ficarmos com as instituições mais luzidias, que me relevem o menosprezo. Mas não consigo imaginar furo n'água mais raso e inútil do que os tais gestos de protesto contra uma corrupção que não têm coragem de apontar alguém, nem de pronunciar um nome sequer. Que não revela discernimento necessário para indicar as falhas institucionais e comprometer-se com uma correta reforma do modelo político nacional e dos nossos códigos. Estes códigos são um "pálio de luz desdobrado" a iluminar o caminho dos corruptos na sinuosa marcha republicana rumo à prescrição.


Sinceramente, até os corruptos agradecem a fidalguia com que foram tratados! Governos podres de raiz, assumidamente podres, ardorosos defensores de seus próprios corruptos, que os homenageiam e desagravam, igualmente se sentem reverenciados nestas festinhas setembrinas de titubeantes virtudes cívicas.


Texto de 25 de setembro de 2011 recebido por este blogue via correio eletrônico.